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#EUsouMS Entrevista: José Eduardo


Hoje o #EUsouMS entrevista o douradense José Eduardo, ele é fotógrafo e tem se destacado pela originalidade do seu trabalho. Se você ainda não conhece as fotos dele, vai se surpreender com os registros desse jovem talento de Mato Grosso do Sul.

Desde pequeno Zé, como é conhecido, sempre desenvolveu múltiplas artes: “tive uma relação muito próxima com a música, além do apreço pela leitura, e pelo desenho.”. Já no fim da adolescência ele se interessou pela fotografia.

“Ao iniciar os estudos da fotografia, percebi o quanto eu me identificava com o poder dos registros, e desde então tenho me dedicado a estudar e praticar a fotografia todos os dias, seja lendo conteúdos ou conhecendo e apreciando as obras de outros fotógrafos e artistas.”

Zé já trabalha profissionalmente a um ano e meio e esta se dedicando cada vez mais ao aprimoramento da sua identidade fotográfica buscando a peculiaridade, a força e o sensorial.

A seguir você confere a entrevista que o #EUsouMS fez com essa grande promessa da fotografia de Mato Grosso do Sul e um pouco mais do seu trabalho.

#EUsouMS - Mesmo sendo um profissional novo você possui um trabalho muito autoral e que desperta a curiosidade das pessoas. Quais são as suas referências na fotografia?

Quando comecei a trabalhar profissionalmente, eu senti muito a necessidade de buscar um diferencial na minha fotografia, algo em que as pessoas olhassem e já identificassem como sendo uma produção minha. Isso fica muito claro quando você vê obras de artistas que tem uma identidade visual muito clara e especifica, basta olhar de longe uma obra do Marlon Beraldo para logo saber que foi ele quem pintou.

Dentro da fotografia, o Sebastião Salgado, que é o nosso maior nome da fotografia nacional, um verdadeiro poeta das luzes é minha maior referencia, e também tenho como grande o Noilton Pereira, que reverte a venda das suas fotos em alimentos, moradias, locomoção e ajuda para as pessoas que vivem em estados deploráveis no Sertão do Nordeste, suas fotos são impactantes, lindas e de grande sensibilidade.

#EUsouMS - Como você sente a percepção das pessoas sobre o seu trabalho?

As pessoas que fotografei, em suma, me procuraram porque queriam experimentar as sensações propostas e porque procuravam algo novo. Outras pessoas não tem coragem de se molhar, e gostam apenas de admirar as obras, todavia, o feedback que recebo sempre foi muito positivo, e todas as críticas que recebi foram construtivas.

#EUsouMS - Como é desenvolver um trabalho tão diferente e tão autoral em Dourados, no Mato Grosso do Sul?

É relativamente difícil. O que é novo tende a assustar as pessoas, tanto é que quando comecei com a fotografia sensorial, usando agua para criar, pouquíssimas pessoas toparam a ideia porque estava frio, e tive que deixar guardado essa ideia por meses, até aparecer a oportunidade de expor para um grande público, o que mudou totalmente a concepção das pessoas sobre essa tal fotografia sensorial.

Como o incentivo para arte e cultura é muito reduzido ou quase nulo, as pessoas que tem vontade de produzir arte, tendem a entrar no conformismo, ou mesmo deixar seus sonhos de lado pela falta de oportunidades. Aqui no Estado é difícil encontrar lugares que fomentam a arte, que abracem os artistas abrindo espaços para que exponham suas obras, a grande maioria da população não consome arte, e por este motivo muitos talentos são perdidos.

#EUsouMS - Você desenvolve hoje um trabalho com fotografia sensorial. Conta um pouco para os nossos leitores qual é o principal foco desse tipo de trabalho.

Eu trabalho com o foco no individuo, no individual, no particular. As pessoas que fotografo carregam consigo suas historias, e isso fazem delas o que elas são, e são exatamente essas histórias ou experiências de vida que deixo evidente nas fotografias. Sabendo que estará sendo trabalhado essas particularidades, as pessoas sentem no momento do ensaio a real intenção, que é muito além que sentir, é transmitir. Durante o ensaio há uma mistura de valores, as historias que eu atrelo a minha forma de usar a água, e criamos então as fotografias.

#EUsouMS - Quem te acompanha pelas redes sociais percebe que, além de um grande fotógrafo, você toca instrumentos, pinta quadros e escreve poesias. A sua veia artística sempre foi muito forte?

Desde muito cedo tive contato com a música, sou violinista, e devido a um acidente que sofri quando tinha oito anos de idade, em que quebrei minha cabeça, tive que deixar de fazer atividades físicas por um longo tempo. Nesse período me envolvi muito com a leitura, música, desenhos e xadrez, e ao passo em que eu não podia mais brincar, me ocupava com essas atividades que me faziam imaginar e criar.

#EUsouMS - Agora gostaríamos de saber sobre os seus novos projetos. Existe alguma exposição ou mostra programada?

Sobre novos projetos, é até engraçado, porque essas ideias surgem quando menos espero, e todas as novas ideias deixo anotado para que em algum momento oportuno eu possa tentar. Estou com um projeto chamado “O grito dos inaudíveis” que já estou desenvolvendo cada ensaio sensorial, onde registro o grito da pessoa conforme o seu estado de humor, e nesse projeto já registrei gritos de alegria, tristeza, entusiasmo, dor, luto, vitórias... É um grito congelado em forma de luz fotográfica em que ninguém pode escutar mas para quem tem sensibilidade, a interação com as obras é real, você sente!

Também estou com novo projeto chamado “Narciso”, em que irei trabalhar as vaidades individuais e os seus medos de forma poética, performática e sensorial.

#EUsouMS - Antes de finalizarmos gostaríamos que você desse um conselho para quem gostaria de, assim como você, realizar um trabalho tão autoral e tão verdadeiro.

Estude e pratique bastante, pesquise, busque referências, e tenha em mente que nada se cria, mas tudo se recria. E que só alcançamos um trabalho autoral tentando, tentando por diversas e diversas vezes. E o mais importante, enxergue verdades no que você faz, acredite em si mesmo, porque a beleza e os valores estão nesses detalhes!

Se você curtiu o trabalho do Zé é só entrar em contato com ele pelo Instagram @zehez. Em Outubro o fotógrafo tem uma exposição programada em Dourados e outra prevista para Janeiro de 2020 em Campo Grande.

#gente

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