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Essa carta é para minha equipe de suporte.

Primeiramente gostaria de pedir desculpas aos meus fies leitores. Desculpa pela ausência da semana passada, tive um breve bloqueio literário. Pelo pouco que já me conhecem, podem imaginar que esse tema que estamos tratando é muito delicado para mim. Quando cutucamos a ferida, precisamos ter noção que pode sangrar. Tive que parar, cuidar e estancar o sangue. Pronto, voltei para continuarmos de onde paramos.

Essa carta é para minha equipe de suporte.

Calma, gente! Não vou enviar um e-mail ou abrir um chamado de telemarketing. Não vou fazer reclamação sobre determinado produto ou serviço. Não vai ter necessidade de tirar nada da tomada e deixar fora por vinte segundos. Pelo contrário.


Eu fiz isso ano passado. Reiniciei minha vida. Coloquei meus passos fora da estrada. Deixei minha vida e pensamentos em maneira off-line. E, ao contrário da galera do telemarketing que fica do outro lado da linha, eu tive apoio do pessoal do suporte, aquele que faz a visita programada, sabe?


Pois é... Enquanto meu mundo desmoronava, enquanto eu reiniciava minha vida, enquanto eu reaprendia a viver e me livrar dos piores pensamentos já passados por mim, minha equipe de suporte me segurava no colo.

Sabia que qualquer pessoa, pode entrar em uma loja e comprar um suporte? Pois é... Eu nunca tinha prestado atenção até precisar comprar um chamado “mão francesa”. Cheguei na loja e pá. Existiam vários tipos suportes. Em “x”, em “y”, suporte para prateleiras, para televisão, suportes com enfeites, com detalhes, em diversos tamanhos, cores e modelos. Estava ali. Era só escolher.


Fiz uma analogia com o texto que estava para escrever, óbvio!  Como se voltasse no passado quando podia escolher quais profissionais iriam me tratar. Era como abrir um cardápio e lá estavam os nomes e telefones dos profissionais de saúde que já passaram por minha vida.

Alguns eu tive a chance de escolher. Ir até o tal “catálogo” e escolher ser cuidada por eles. Outros o destino que se encarregou por isso. Quero deixar meu MUITO OBRIGADA! Muito obrigada a cada profissional que cuidou e cuida de mim. Tanto meus médicos, psicólogos, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, secretárias de médicos, toda a galera que faz parte do lado profissional. Deixo aqui registrado o meu muito obrigada.


Obrigada por muitas vezes eu não conseguir agradecer o tanto que gostaria ou que deveria, mas que vocês entenderam. Obrigada, em especial, aos meus médicos pelo carinho e dedicação que possuem comigo. Obrigada pelas noites em claro na época da faculdade, obrigada pelos estudos incansáveis. E, olha que nem imaginavam que iriam esbarrar com uma paciente tão questionadora e tão complexa como eu. Obrigada pela paciência e perseverança comigo.


Essa carta é para minha equipe de suporte. Meus caros... Que equipe eu possuo! Que equipe!


Equipe essa que tenho orgulho danado de ter em minha vida. Essa equipe que me acolhe. Me abraça. Me acalma. Me olha nos olhos e fala que vai ficar tudo bem. Algumas vezes nem precisam olhar nos olhos, mas eu sei que eles estão aqui comigo. Estou me referindo aos meus amigos.


Lembra sobre a liberdade de escolher o suporte? Pois é, algumas pessoas costumam dizer que amigos são a família que escolhemos. E não é que é verdade? Conta aí para mim, neste exato momento veio um amigo em sua mente, não foi? Eu sei que veio! É assim mesmo, eles fazem parte da equipe, são os que driblam, pegam a bola, fazem o passe, chutam para o gol e ainda acertam.


Sou muito grata pelas amizades que Deus colocou em minha vida. Cada um de uma maneira diferente. Não vou conseguir falar de cada um, até porquê geraria ciúmes, e não teria espaço para tantos elogios e defeitos (sim, defeitos também, aqui trabalhamos com sinceridade hahaha).

Mas, quero agradecer. No geral, até porque se eu agradecer no geral, praticamente todos vão se identificar de alguma forma, então lá vai: desculpa todas as vezes em que visualizei as mensagens e ignorei. As vezes que não abri os aplicativos de mensagens por querer me isolar do mundo. Ou por sumir e pensar que vocês iriam adivinhar o que estava passando na minha cabeça e coração, por mais que nem eu soubesse ao certo o que estava acontecendo. Desculpa por não ter parabenizado vocês dignamente. Eu amo aniversário e mais, valorizo muito a data, por mais que alguns de vocês acreditam que seja somente um dia qualquer. Desculpa as reuniões de quinta, sexta, sábado e até de domingo que não estive presente fisicamente. E, obrigada, obrigada por sempre me mandarem convite, mesmo inconscientemente, soubessem que eu não iria. Desculpa eu não aparecer em algumas fotos. Juro que olhava algumas e meio que me sentia presente em pensamento com vocês.


Sei que para alguns de vocês saber que eu, justo eu, aquela menina/mulher do riso frouxo, da gargalhada escandalosa, estava em crise de depressão forte. Foi um choque. A ficha de alguns demorou a cair. A negação fez parte da maioria. Porque a imagem que as pessoas têm de mim é daquela pessoa que pode dar uma baqueada, até cair, porém sempre arrumo forças para levantar e levantar rápido. É o que sempre costumava dizer: relaxa, tenho um plano. Para alguns sou exemplo de determinação, força e leveza. O que me deixa com uma responsabilidade imensa.


Falar sobre depressão, sobre suicídio, nunca foi problema para mim. Mas como disse uma amiga, eu passei a linha do falar e fui fazer. E ela quis vir correndo me amarrar, me sequestrar, me levar para “um lugar seguro”, onde não fosse capaz de fazer nada comigo mesmo. Outra que também mora longe disse que nunca se sentiu tão impotente. Buscou ajuda na Internet, se colocava no lugar da minha mãe, pois também é mãe e rezava. Rezava muito. Pedia a Deus que me mantivesse viva. Era o único pedido que ela fazia.


Outra amiga tentava de tudo me dar apoio e eu não dava espaço. Ela disse que já se sentiu culpada e frustrada por não ter conseguido entender antes o quão doente estava. Eu disse que nem eu percebi. Eu e essa mania boba de me isolar. Hoje consigo entender que me isolar não é bom, por mais que ainda faça isso. Hoje em dia bem menos. Hoje eu me permito dizer que está tudo bem não estar bem. Tive uma amiga que estava passando por uma fase ruim e disse que, mesmo eu estando ruim, consegui ajudá-la. Passamos pela fase do “chefão” juntas. Uma dando apoio à outra.


Tenho aqueles amigos que não falavam muito sobre a doença. Falavam sobre outros assuntos. Sempre tentando deixar mais leve as poucas conversas que tínhamos. Mas ao mesmo tempo, sempre deixava nas entrelinhas a frase tão clichê, porém tão importante: estou aqui para o que precisar. Conte comigo!

Eu dei vários sustos. Derramei muitas lágrimas. Mas desmistifiquei alguns tabus também. Tinha uma amiga que há um tempo acreditava que pesoas que tentavam suicídio era para chamar atenção. Hoje ela já pensa ao contrário, que quem chega nesse nível é porque realmente chegou em um estado muito grave, e chegar a tentar/cometer é um ato de desespero e muita coragem.


Tem um amigo que já perdeu uma pessoa próxima para a depressão por suicídio, e quando ele viu cortes em meu pulso, entrou em desespero. Ele disse que precisava fazer algo. E assim foi, tudo o que ele pôde fazer diretamente e indiretamente ele fez.  Alguns amigos acabam virando irmãos, acabam que com a convivência eles viram parte da gente. Como ir embora e levar parte de alguém junto? É uma responsabilidade gigantesca, eu sei.


Mas a gente não pensa nisso quando estamos no escuro. Não pensamos o quanto somos importantes na vida das pessoas. Na verdade, a gente não pensa em nada. Só sente. Sente muito. Sente a flor da pele. Sente uma dor surreal. E essa dor tira toda nossa racionalidade. Porém, todos eles respeitaram o meu silêncio por não querer ouvir e estar cansada de tantos conselhos que não queria seguir, porque estava esgotada.


Meu muito obrigada, meu suporte! Meu muito obrigada por tudo! Obrigada por serem tão essenciais, especiais e importantes em minha vida! Vou deixar duas declarações que se repetiram muito enquanto eu falava com alguns amigos sobre o que houve:“tenho muito orgulho da mulher que você se transforma a cada baque que a vida te dá, porque consigo perceber o quanto você cresce e renova sua vontade de viver.” “Você mudou e mudou muito. Foi uma estrada f*da, tortuosa e complexa, mas nunca te vi tão forte. Você hoje voltou a rir da doença, mas vejo no fundo do seus olhos que não tem mais uma menina insegura ali. E sim uma mulher preocupada, mas forte para enfrentar o que vier”.  


Por isso eu sempre vou repetir. senhor(a), essa ligação gerou um número de protocolo, favor anotar: MUITO OBRIGADA, SUPORTE! VOCÊS SÃO INCRÍVEIS! QUE SORTE A ARYANA TEM EM TER VOCÊS! 

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