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Papo de Mãe: “Eu não gosto da cor preta, mãe”

Atualizado: 25 de mar.



Essa frase saiu da boca da Lívia enquanto almoçávamos, semana passada, em um restaurante. Saiu logo depois que uma mulher, que estava na mesa ao lado, levantou. Aquilo foi com um soco no meu estômago: “o que essa menina quer dizer com isso? No que estamos errando?”

A minha vontade era conversar ali mesmo, dentro do restaurante, mas o papo ficou só para o fim do dia. Foi quando a questionei sobre o motivo de ter dito aquilo e aí a situação ficou pior ainda: ouvi da boca dela “Sabe, mãe, eu não gosto de quem tem a cor de pele marrom ou preta.” Minha gente, quando eu ouvi isso, parece que toda a educação que tinha dado para a Lívia, até então, tinha ido parar no lixo. Como que uma criança de 4 anos me fala isso? Como que ela fala isso se nós, aqui em casa, nunca incentivamos ( se é que pode chamar de incentivo) esse tipo de comportamento preconceituoso.


Afinal, que fique bem claro, preconceito é uma das atitudes que mais abomino na vida e que mais me esforço para a minha filha aprender o quanto é errado. O quanto não podemos julgar o outro pela aparência.


Sentei com a Lívia e comecei a explicar: que as pessoas são diferentes, que cada uma tem um tom de pele, um tipo de cabelo, uma característica diferente. Que não devemos, nunca, falar que não gostamos de alguém por algo que vimos. Que a gente pode sim, não gostar da pessoa, mas tem que ser por causa do seu comportamento e não pela cor de sua pele. Perguntei se ela gostaria que alguém falasse que não gosta dela por causa da cor da pele dela ou do tipo do cabelo, foi nessa hora que ela começou a entender a gravidade do que tinha dito. "Não, mãe, eu não quero que ninguém deixe de gostar de mim porque eu sou cor de pele mais branca.” Questionei se ela deixava de brincar com os amiguinhos que tinham cor de pele diferente da dela? Se eles eram pessoas chatas só porque a cor da pele é diferente.


Eu não tenho ideia de como esse pensamento surgiu na cabeça dela. Acredito que alguém disse isso perto dela e ela reproduziu, sem nem saber da gravidade. Mas isso me fez pensar em quantas vezes, nós pais, podemos influenciar os nossos filhos em comportamentos ruins, preconceituosos, em comentários maldosos. Em o quanto, nós pais, precisamos estar atentos a essas pequenas falas do dia a dia. Vivemos em um país desigual e eu não quero, nunca, que minha filha julgue alguém pela sua cor ou pelo seu aspecto físico. É por isso que a missão de educar os filhos é tão difícil porque precisamos transformá-los em criaturinhas melhores do que nós fomos. E quer saber, eu acredito muito que a minha filha será alguém muito melhor, mas, para isso, há um longo trabalho pela frente.

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