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Me tornei quem eu mais temia/queria: a paulistana que caminha pela rua com café na mão

Era 2013 e, sem nenhum puto no bolso, fui fazer uma entrevista de emprego perto da Avenida Paulista. Eu já conhecia quase tudo por ali, tive a sorte de morar em SP quando era criança. Mas eu amava me imaginar em uma série teen da Netflix, onde as moças andam de roupa estilosa e atravessam a rua segurando o famigerado café da Starbucks.


Respirei fundo um ar que misturava poluição e o croissant de Nutella que ficava em frente à Gazeta. Segurei firme minha bolsa que carregava a CNH feita em Campo Grande, fitei aquela arquitetura de cidade grande, cercada por prédios espelhados e muita gente correndo na rua e desejei viver aquilo diariamente.


Muitas entrevistas, correria, apertos e lágrimas depois, era bem ali que eu estava: passando diariamente pelo famoso Pato da FIESP e me metendo nas mais variadas manifestações apenas por ter que pegar o metrô. Aliás, por culpa da Paulista, aprendi a participar de muitas manifestações: a favor do aborto; contra o racismo e tantas outras que nem sei mais...


Foi, e tem sido, a reconstrução de uma Dayane que agora tenta prestar atenção em tudo e todos. Porque ali na Paulista, você tem tanta informação que pode seguir por dois caminhos: Ou você passa a ignorar o cotidiano. Ou o cotidiano te muda por inteiro

No meu caso foi a segunda opção. Aprendi a correr do lado esquerdo da escada rolante porque-a-gente-está-sempre-atrasado sem ter motivos. Ou ouvir música durante todo o trajeto para focar em apenas uma voz. A separar o dinheiro trocado para poder dividir com a mãe de família que vai te pedir no metrô. A doar fraldas para quem talvez queira apenas comprar pinga.


Ali na Paulista eu já chorei em tantas esquinas ouvindo os músicos tocarem apenas para mim.


Já quis adotar uma menina que fez umas tatuagens de chiclete no meu braço.


Já bati palmas para o moço que imita o Michael Jackson.


Já apanhei (duas vezes) de uma moradora de rua que provavelmente tinha mais problemas do que eu.


Já tive que ouvir que Direitos Humanos é apenas para humanos direitos.


Já voltei chorando para a casa com saudades da minha família.


Já voltei sorrindo para a casa com o peito cheio de amor.


Tenho tanta coisa para contar sobre São Paulo, que esse espaço vai ser sobre isso. Sonhos, conquistas, bebedeiras e corações partidos. Porque é disso que a gente vive por aqui!


Sejam bem-vindas e bem-vindos!


Espero que continuem comigo.



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