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Raphael Vital e Geraldo Espíndola encantam público da Concha com pegada intimista e autoral

Uma plateia animada e com vontade de boa música. O público presente no primeiro show do Som da Concha deste ano, que aconteceu neste domingo, 15 de agosto, na Concha Acústica Helena Meirelles, estava com sede da nossa música regional, intimista e com muito som de viola.


Reinaldo de Souza Santos, que trabalha na construção civil, esteve presente com o filho Henri Guimarães, professor de História, a nora Maria Fernanda Sandim, pré-vestibulanda, e o amigo Claiverson de Souza Lima, músico e guia de turismo. Eles ficaram bastante felizes com o resultado da reforma da Concha e estavam com muita vontade de presenciar um show ao vivo. “Ficou bem legal o espaço, ainda mais agora que fez a reforma, ficou bem diferente”, diz Henri. “Após a revitalização trouxe outra cara, acho que o público com certeza vai frequentar mais”, disse Maria Fernanda. “Estava lá em casa aí meu filho me chamou: ‘pai, vai ter um som bacana lá na Concha. Vamos?’ Aí a gente veio. Estou achando muito bacana, muito bom”, declarou o papai Reinaldo, o homenageado da família pelo Dia dos Pais.



“O Raphael pelo estilo assim, de viola, é sempre bom curtir. Pegar artistas novos de Mato Grosso do Sul que valorizam a cultura, que talvez com algum tempo se perca essa tradição de tocar viola, eu toco também, eu gosto, e o Geraldo também, é história, é a velha guarda, é o cara que veio abrindo caminhos, compositor pra caramba, nunca tinha visto ele tocar ao vivo, hoje vai ser a oportunidade”, afirmou o professor de história Henri.


“Para nós o Geraldo Espíndola é um marco na nossa cultura, na nossa música, com suas composições, e o Raphael é um som novo, um som que traz mais a nossa cara, mais o nosso estilo dentro da música caipira. É uma experiência única. É a primeira vez que estou vendo o Espíndola tocar e o Raphael também, ao vivo. A gente vê pela internet, acompanha no Instagram, nas mídias sociais, mas aqui a gente espera que a experiência seja ótima”, falou o amigo e músico Claiverson.


Também na arquibancada, o empresário Luca Lima estava com os filhinhos, Enzo e Sofia e a esposa Amanda Rodrigues, esteticista. “A gente já veio duas vezes aqui na Concha. A primeira vez teve um show de palhaço e circo, o Enzo ficou muito encantado, da outra vez teve um teatro. E hoje a gente já estava aqui no parque quando a gente ficou sabendo que ia ter o evento e a gente resolveu ficar. Eu sei que eles gostam muito desse ambiente de arte. Viemos juntos ao parque, almoçamos todo mundo junto hoje, e aí passamos a tarde juntos, e acho que esse momento aqui no final do dia é legal justamente para fechar com chave de ouro o dia. Geraldo Espíndola é uma música que eu gosto bastante de ouvir, é uma música que me traz algumas coisas da raiz da minha família, do interior do Estado, eu acho muito bacana”.


Com um pouco de atraso, Raphael Vita subiu ao palco e mostrou ao público toda a força da música regional e da sua viola Folk: “Foi uma sensação muito especial de abrir o Som da Concha, é uma responsabilidade muito grande, é um palco pelo qual eu tenho tamanho respeito pelo nome que leva, de uma mulher que eu admiro demais que é a dona Helena Meirelles. Momentos muito emocionantes, finalmente agora voltando depois da pandemia, pessoal todo vibrando com a gente, foi muito bom”.


“Quase todas as músicas do show de hoje foram autorais, com exceção de duas que são de artistas da nossa terra. Eu trabalho com a música regional sul-mato-grossense com influência da música folk, cowntry e blues. O processo de composição é muito bom, eu não me cobro muito, o meu processo de composição é bastante livre, um dos lugares onde eu gosto de compor muito é às margens do Rio Sucuriú, lá em Três Lagoas, que é a cidade de onde eu venho, quando eu tiro uns dias de sossego eu gosto de ficar por lá, quietinho, om minha viola, compondo, escrevendo, e aí aparecem essas coisas. Eu acho que o palco do Som da Concha é muito importante, mas ainda falta um pouco de abertura para mais pessoas. Porém não dá para dizer que não é um palco que nos proporciona muitas coisas boas. Eu estou muito feliz de estar tocando pela segunda vez, é um palco que tem muita visibilidade, o pessoal de Campo Grande gosta muito de frequentar o Parque das Nações, a Concha Acústica Helena Meirelles, e eu estou muito feliz com o resultado”.


O esperado show de Geraldo Espíndola agradou ao público, que estava sedento de boa música, e música ao vivo. “ Eu acho tão mágico esse Som da Concha, primeiro que foi dado à Concha o nome de Helena Meirelles, que é uma pessoa que eu conheci em vida, uma pessoa muito bacana, uma violeira tão simples que conseguiu chegar onde ela chegou. Ela só me dava bons conselhos. Ela falava: Geraldo, para de fumar, e eu parei por causa dela. Não bebo e não fumo graças a Deus e graças a esse tipo de gente que dá exemplos na vida. Músico não pode beber”.


O artista demonstrou toda a sua paixão e vocação pela música, no palco: “Eu acho que eu nasci para isso, para a música, porque desde os 14 anos que eu havia decidido que eu seria isso, mesmo sabendo que eu não teria jamais uma profissão, mas eu batalhei por ela. Durante 35 anos paguei a Ordem dos Músicos do Brasil, pleiteei junto ao Ministro da Cultura várias vezes, inclusive com o Gilberto Gil, para que a gente virasse uma profissão de respeito, a gente abraça uma carreira. Eu gosto da minha carreira, mesmo paralela à grande mídia, mas eu prefiro assim do que muito certinha, meu negócio é mais estradeiro mesmo.


Meus blues nascem em encruzilhadas de chuva e Mato Grosso do Sul é o meu Pantanal. Eu rodei este Estado inteiro com o motorista da firma de contabilidade do meu pai, num fuscão, todos os municípios, em estrada de terra. Hoje eu tenho o prazer de rodar todos os municípios em estrada de asfalto, isso é maravilhoso. Eu vi o progresso no meu Estado, eu fui um músico 730 da OMB do Brasil aqui em 1970. Hoje tem mais de 50 mil nessa praia da música, e isso pra mim é maravilhoso, porque o que eu quero é que os homens peguem em violões, em instrumentos, e não em fuzis e armas. Quanto mais músico tiver no mundo, menos bandido armado vai ter”.


Sobre a participação em seu show do músico que está iniciando na carreira, Raphael Vital, Geraldo falou que sempre incentivou e auxiliou os novos talentos a despontar. “Eu tenho verdadeira admiração por essa moçada que começa na música, eu sei o quanto não é fácil, eu sei muito bem tudo o que eu passei, todos os preconceitos sofridos, os radicalismos. Eu não terceirizo nada, é comigo mesmo!”


O próximo Som da Concha acontece no domingo dia 21 de agosto de 2022, com Corvo e os Malditos do Cerrado e Jerry Espíndola. A entrada é franca!!!


Texto: Karina Lima / FCMS

Fotos: Daniel Reino / Divulgação

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