André Tristão transforma vivências com HIV e discursos de ódio em novo espetáculo
Espetáculo reúne teatro, dança, performance, voz, projeção, iluminação e música, com apresentações gratuitas na capital.
No palco, o ódio recebido nas redes sociais deixa de ser palavra e ganha corpo, movimento e voz. É assim que o artista André Tristão transforma experiências de violência em matéria cênica e estreia o solo ´Eu Vou Dançar Seu Ódio!´. As primeiras apresentações acontecem no dia 22 de setembro (terça-feira), às 15h e às 19h30, no Teatro Aracy Balabanian. E, a terceira sessão, no dia 25, às 19 horas, no SESC Teatro Prosa; todas com entrada gratuita.
O projeto foi contemplado pelo Edital FMIC/FOMTEATRO 2024, da Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande (FUNDAC) e da Prefeitura Municipal de Campo Grande. Conta com o apoio do Centro Cultural José Octávio Guizzo e do SESC MS. Parte de seu processo de pesquisa e ensaios em São Paulo foi realizada na Praça das Artes, com o apoio da Fundação Theatro Municipal de São Paulo.

´Eu Vou Dançar Seu Ódio!´ é um solo de teatro, dança e performance, criado e interpretado pelo artista sul-mato-grossense André Tristão. O projeto parte de uma experiência concreta: os discursos de ódio recebidos por ele nas redes sociais. A partir desse material, o espetáculo investiga como determinadas violências atravessam o corpo e permanecem inscritas nele.
“Em cena abordo questões como homofobia, gordofobia, sorofobia, infância e relações familiares. Vivendo com HIV, indetectável há mais de dez anos, transformo parte dessa experiência em matéria cênica, articulando autoficção, memória, movimento, palavra, música e recursos audiovisuais”, conta Tristão.
A criação tem início nas inquietações, experiências e provocações de André Tristão. Durante o processo, ele e o dramaturgo Febraro de Oliveira desenvolveram construções paralelas: de um lado, a pesquisa realizada no corpo e na sala de ensaio; de outro, a elaboração dramatúrgica de Febraro a partir do material compartilhado entre os dois. Em determinado momento, essas construções convergiram para um mesmo centro e passaram a constituir o corpo da obra.
Depois, Rafaela Sahyoun entrou no processo como diretora artística, provocando Tristão e acompanhando os deslocamentos da criação. Suas provocações passaram a tensionar, reorganizar e ampliar as possibilidades do material que já vinha sendo construído, colaborando para que os diferentes elementos da pesquisa encontrassem sua forma na cena.
O espetáculo não tem como objetivo denunciar as agressões recebidas, mas transformá-las. Sua pesquisa se organiza em torno de uma pergunta: como dançar o ódio até que ele vire outra coisa? No palco, o trabalho cria dispositivos para deslocar essas palavras e experiências do lugar em que foram produzidas para ferir. O corpo, a voz, o microfone, o fio, a repetição, a música, a projeção e a iluminação participam desse processo de transformação.
“Ao longo do solo, aquilo que inicialmente se apresenta como violência é manipulado, amplificado, tensionado e devolvido ao espaço. O ódio deixa de ser apenas uma força paralisante e se converte em movimento, presença e possibilidade de encontro. No espetáculo procuro transformar o ódio em festa, não para apagar ou amenizar a violência, mas para impedir que ela continue determinando o destino do corpo”, destaca o artista.
A obra é resultado de uma pesquisa continuada desenvolvida entre Mato Grosso do Sul e São Paulo. O núcleo criativo reúne André Tristão, como intérprete-criador e diretor geral; Rafaela Sahyoun, na direção artística; Febraro de Oliveira, na dramaturgia; Jussara Miller, na direção de movimento; Dora de Andrade, na assistência de direção de movimento e preparação corporal; Well Flora Ires Batista Rodrigues, na assistência de direção, Aline Santini, no desenho de luz; Yantó, na criação da trilha sonora; Octávio Tavares, na criação audiovisual; e Helton Pérez, da Vaca Azul, na fotografia e no design do projeto.
Oficina convida participantes a investigar as relações entre corpo, memória e criação cênica
Além das apresentações, o projeto também realiza a oficina ´O que o corpo faz com o ódio? - Dispositivos de criação entre Teatro, Dança e Performance´, com André Tristão. Com duração de quatro horas, o encontro articula sensibilização corporal, jogos de atenção, improvisação, composição cênica e conversa. Durante o encontro, os participantes experimentarão relações entre corpo, memória, espaço e criação, desenvolvendo imagens, gestos, movimentos e pequenas composições performativas.
A atividade é voltada para a arte-educadores, professores, acadêmicos, artistas e demais pessoas interessadas em práticas corporais e criação cênica, com classificação indicativa de 18 anos. A oficina será realizada no dia 26 de setembro, sábado, no Centro Cultural José Octávio Guizzo. Serão duas turmas: uma pela manhã, das 9h às 13 horas e, a outra, de tarde, das 14h às 18 horas. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas por este link.
O espetáculo tem classificação indicativa de 14 anos e as apresentações contarão com acessibilidade em Libras e audiodescrição.
Serviço: estreia do espetáculo ´Eu Vou Dançar Seu Ódio!´ com André Tristão
22 de setembro (terça-feira)
Horários: 15h e 19h30.
Local: Teatro Aracy Balabanian no Centro Cultural José Octávio Guizzo (rua 26 de Agosto, 453, Centro).
Ingressos: são gratuitos e devem ser reservados pelo Sympla em: https://www.sympla.com.br/evento/espetaculo-eu-vou-dancar-seu-odio/3583024
25 de setembro (sexta-feira)
Horários: 19 horas.
Local: SESC Teatro Prosa (rua Anhanduí, 200, Centro).
Ingressos: são gratuitos e devem ser reservados pelo Sympla em: https://www.sympla.com.br/evento/programacao-sesc-teatro-prosa-23-09-a-26-09/3571067 a partir do dia 18 de setembro.
Classificação indicativa: 14 anos.
Acessibilidade: Libras e audiodescrição.
Texto: Isabela Ferreira / Reconta Conteúdo
Foto: Helton Perez / Vaca Azul




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