Após seis anos, Grito Rock Dourados volta ocupando a cidade com música, arte e cultura urbana
Festival retorna à Praça do Cinquentenário de 25 a 27 de setembro e amplia o rock para um encontro com hip hop, Ballroom, literatura, cinema, circo, cultura indígena e música eletrônica.
Seis anos depois, o grito volta a ecoar em Dourados. Mas quem chegar à Praça do Cinquentenário esperando encontrar apenas guitarras e bandas independentes provavelmente vai descobrir um festival bem diferente daquele que o próprio nome pode sugerir.

Entre 25 e 27 de setembro, o Grito Rock Dourados retorna transformando a praça em um território para música, graffiti, hip hop, Ballroom, literatura, cinema, circo, cultura indígena, sustentabilidade, infância e experimentações eletrônicas.
A retomada recupera uma história iniciada na cidade em 2011. Dourados também recebeu edições em 2013, 2014, 2015, 2016 e 2018, sempre com a Praça do Cinquentenário como um de seus principais pontos de encontro.
Agora, o festival volta maior em linguagens e com uma proposta clara: mais do que montar uma sequência de shows, ocupar novamente o espaço público com produção cultural independente.
“Depois de seis anos, o retorno do evento para a cidade significa reencontrar essa memória, mas também olhar para o presente e entender o que os artistas estão produzindo hoje”, explica a idealizadora Fabi Fernandes.
Do rock ao Ballroom, o festival se divide em diferentes gritos
O rock permanece como um dos pilares, mas está longe de ser a única linguagem da programação.
O Grito Hip Hop reúne MCs, DJs, graffiti, breaking, batalhas e oficinas, enquanto o Grito Slam coloca a poesia falada no centro da experiência. O Grito Litera amplia essa relação com a palavra ao aproximar escrita, oralidade e criação coletiva.
O protagonismo feminino aparece no Grito D’Ellas, com encontros e debates sobre gênero e os desafios enfrentados por mulheres e dissidências na produção cultural independente.
A diversidade também passa pelo Grito Ballroom, dedicado à cultura LGBTQIAPN+, e pelo Grito Capoeira, que coloca a tradição afro-brasileira dentro dessa cartografia cultural.
Para as crianças, haverá o Gritinho, enquanto o Circo Grita leva malabares, acrobacias, palhaçaria e outras performances à praça.
“A gente não quer fazer um festival em que as pessoas apenas chegam, assistem a um show e vão embora. A ideia é criar uma experiência de encontro”, resume Fabi.
Música eletrônica encontra pesquisa internacional
Uma das frentes mais curiosas da edição de 2026 será o Techno Grito.
Além da música eletrônica, a programação prevê uma conferência internacional com produtores musicais e DJs. O festival também receberá um laboratório de antropologia multimídia da University College London, que realizará experimentos e experiências imersivas durante os três dias de programação.
O audiovisual terá espaço no Cine Grito, pensado para circulação e exibição de produções autorais, debates e encontros com realizadores.
Já o Grito Flashback mergulha em outra relação com a música: a memória afetiva. A programação acontece no domingo (27), data em que Dourados celebra o Dia Municipal do Flashback, e recupera referências principalmente das décadas de 1980 e 1990.
Cultura indígena e sustentabilidade entram no mapa
A ideia de território também aparece de maneira mais literal em outras frentes do festival.
O Grito Tekoha Sapucaí será dedicado ao protagonismo indígena, aproximando jovens e anciãos por meio de oficinas, workshops e rodas de conversa entre saberes tradicionais e questões contemporâneas.
No Grito Verde, cultura e sustentabilidade se encontram em atividades relacionadas à agroecologia, permacultura, bioconstrução e consciência ambiental. A programação prevê ainda distribuição de plantas da Matisse Frutíferas.
A Expo Grito, por sua vez, abre espaço para artes visuais, artesanato e produção independente, conectando o festival à economia criativa de quem produz e comercializa o próprio trabalho.
Graffiti vai transformar a Praça do Cinquentenário
A própria paisagem da praça também deverá mudar durante o festival.
Uma intervenção de graffiti terá como tema “Identidade, Fronteira e Território”, utilizando a arte urbana para revitalizar visualmente o espaço e, ao mesmo tempo, discutir características que atravessam a formação cultural de Dourados.
“Identidade, fronteira e território são palavras que dizem muito sobre Dourados. A praça está no centro da cidade e queremos que ela volte a ser também um lugar de encontro, criação e expressão”, afirma Fabi.
Artistas de outros estados também poderão participar da intervenção.
Criado no Brasil em 2003, o Grito Rock nasceu ligado à circulação da música independente, mas foi incorporando outras linguagens ao longo de sua trajetória.
O retorno a Dourados parece levar essa transformação ao limite. Rock ainda está no nome, mas a programação de 2026 sugere que o “grito” hoje pode vir de uma guitarra, de um poema, de uma batalha de breaking, de uma ball, de um filme, de uma roda de capoeira ou de uma parede coberta por graffiti.
Depois de seis anos, a Praça do Cinquentenário volta a ser o lugar onde todos esses gritos se encontram.
Serviço
Grito Rock Dourados 2026
Quando: 25, 26 e 27 de setembro
Onde: Praça do Cinquentenário, Dourados (MS)
Programação: música, hip hop, slam, literatura, cinema, circo, Ballroom, capoeira, cultura indígena, música eletrônica, flashback, sustentabilidade, atividades infantis, artes visuais e economia criativa
Tema da intervenção de graffiti: “Identidade, Fronteira e Território”
Participação: gratuita





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