Banda BatuqueCanta estreia repertório autoral em espetáculo que celebra ancestralidade e resistência em Campo Grande
- eusoums
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Depois de oito anos formando crianças e jovens por meio da música e da percussão sustentável, a Banda BatuqueCantainicia uma nova fase de sua trajetória. Neste sábado (1º), o grupo sobe ao palco do Teatro Aracy Balabanian, em Campo Grande, para apresentar o espetáculo Africanidades – O Chamado dos Tambores, marcado pela estreia de um repertório totalmente autoral que coloca a cultura afro-brasileira, a ancestralidade e a resistência no centro da cena.

Realizado pelo Centro Cultural Instituto Projeto Livres, recentemente reconhecido pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura, o show também simboliza o amadurecimento artístico de um projeto que nasceu nas periferias da Capital e hoje busca ampliar sua circulação por festivais e eventos culturais.
Repertório inédito transforma música em reflexão
As canções apresentadas em Africanidades foram compostas pela educadora, cantora e fundadora do Instituto Projeto Livres, Professora Rô, e abordam temas como pertencimento, identidade, espiritualidade, racismo e valorização da cultura negra.
Entre os destaques da noite está "Racismo Velado", música inédita inspirada nas violências cotidianas enfrentadas pela população negra no Brasil.
Segundo a Professora Rô, a composição nasceu da necessidade de provocar reflexão. "A nossa sociedade prefere fingir que não há racismo para não enfrentar esse problema. Corpos negros continuam sendo violentados, excluídos e inferiorizados estética e culturalmente. 'Racismo Velado' é um convite para pensarmos no Brasil que queremos construir. É o nosso grito de indignação e também um chamado à revolução."
Ao longo da apresentação, os tambores deixam de ser apenas instrumentos musicais para se tornarem elementos de memória, identidade e resistência, conduzindo o público por narrativas que dialogam com a história e o presente da população afro-brasileira.
Projeto celebra uma trajetória iniciada em 2018
A terceira edição do espetáculo também comemora a caminhada da Banda BatuqueCanta, criada em 2018 a partir de oficinas de percussão sustentável voltadas a crianças e adolescentes de comunidades periféricas de Campo Grande.
Hoje, muitos daqueles participantes retornam ao palco como músicos profissionais, resultado de um trabalho contínuo de formação cultural.
"É gratificante ver essas crianças se tornarem adultos apaixonados pela cultura afro-brasileira, rompendo com o eurocentrismo que historicamente nos foi imposto. Cada batida dos tambores é um convite à vida, à consciência e à transformação. Hoje já são mais de vinte composições que falam sobre pertencimento, dignidade e a importância das vidas negras", afirma a Professora Rô.
Ela destaca ainda que o espetáculo representa uma proposta de transformação social. "Queremos fazer uma revolução cultural. Dar voz aos cantos que contam as histórias dos nossos antepassados e mostrar que o novo e o velho caminham juntos. O batuque continua sendo ancestral, mas também aponta para o futuro."
Formação artística e profissionalização
Além da estreia do repertório autoral, o espetáculo marca uma nova etapa para a Banda BatuqueCanta, que passa a atuar também como formação artística profissional, preparada para circular por festivais, eventos e grandes produções.
Para a produtora cultural Thathy D'Meo, esse movimento fortalece tanto os artistas quanto a própria instituição.
"A Banda BatuqueCanta nasceu dentro de uma instituição social, mas construiu um trabalho de qualidade artística e técnica que merece reconhecimento profissional. Nosso objetivo é ampliar a circulação do espetáculo e fortalecer uma cadeia cultural capaz de gerar renda para os artistas e sustentabilidade para o Instituto. Cultura também é trabalho, desenvolvimento e transformação social."
Segundo ela, essa profissionalização não substitui as oficinas realizadas com crianças e adolescentes, mas amplia as possibilidades para que os jovens encontrem na arte uma oportunidade de futuro.
Sustentabilidade também faz parte do espetáculo
Outra marca da Banda BatuqueCanta é a utilização de instrumentos confeccionados com materiais recicláveis. Baldes, tonéis, latas e recipientes plásticos são transformados em instrumentos de percussão, unindo educação ambiental, economia circular e cultura popular.
A metodologia tornou-se uma das principais características do Instituto Projeto Livres e segue presente tanto nas apresentações quanto nas ações formativas desenvolvidas junto às comunidades.
O espetáculo integra o projeto Som do Afoxé, contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), com recursos do Governo Federal e execução da Prefeitura de Campo Grande, por meio da Fundação Municipal de Cultura.
Serviço
Africanidades – O Chamado dos Tambores
Data: 1º de agosto de 2026 (sábado)
Horário: 19h
Local: Teatro Aracy Balabanian – Campo Grande (MS)
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada), à venda pela Sympla.
