"Não Aprendi Dizer Adeus" retorna a São Paulo com temporada gratuita e transforma a morte em motivo para rir e refletir
- eusoums
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É possível rir da morte? Essa é a pergunta que conduz "Não Aprendi Dizer Adeus", espetáculo que retorna a São Paulo para uma temporada gratuita entre agosto e setembro de 2026. Reconhecido pela crítica e eleito pela Folha de S.Paulocomo uma das 25 melhores peças de 2022, o solo de Bárbara Salomé volta aos palcos com 12 apresentações em teatros municipais da capital.

Foto: Caio Oviedo
Idealizado, escrito e protagonizado por Bárbara Salomé, com direção e dramaturgia de Rafaela Azevedo, o espetáculo utiliza a linguagem da palhaçaria para adultos para abordar, com humor e sensibilidade, um dos maiores tabus da sociedade: a morte.
Humor, luto e vulnerabilidade dividem o mesmo palco
Em cena, a palhaça Leila Simplesmente Leila tenta escapar da própria morte. Entre situações absurdas, fracassos e momentos de comicidade, a personagem revela medos, desejos e contradições que aproximam o público de uma reflexão sobre despedidas, luto e a dificuldade de dizer adeus.
Mais do que falar sobre a finitude, a montagem propõe um encontro coletivo em torno de um tema universal.
"Minha primeira experiência de vida foi a morte. Aos 5 anos, perdi minha irmã mais nova e esse tema passou a atravessar minha criação artística. Durante muito tempo, tentei entender como falar sobre algo que todos nós vamos viver, mas que ainda tratamos como um assunto proibido. O riso muitas vezes nasce justamente daquilo que nos amedronta. A palhaçaria nos lembra que, mesmo diante do inevitável, ainda podemos criar espaços de encontro, escuta e acolhimento", afirma Bárbara Salomé.
Espetáculo aposta na interação com o público
Um dos diferenciais da montagem é a relação direta construída com a plateia.
Cada apresentação é influenciada pelas reações e pela participação dos espectadores, transformando cada sessão em uma experiência única. Ao longo da narrativa, o público é convidado a compartilhar simbolicamente um ritual de despedida e refletir sobre as diferentes formas de lidar com perdas e mudanças.
Para a diretora Rafaela Azevedo, é justamente na exposição das fragilidades que nasce a força da comicidade.
"A palhaça revela suas vulnerabilidades sem medo. É desse lugar profundamente humano que nasce o riso."
Palhaçaria feminina amplia espaços na cena contemporânea
Além da temática, o espetáculo também reafirma o crescimento da presença feminina na palhaçaria brasileira, linguagem historicamente ocupada por homens.
Ao colocar uma mulher no centro da comicidade e da reflexão sobre a existência, "Não Aprendi Dizer Adeus" amplia as possibilidades da linguagem e propõe novos olhares sobre temas como morte, memória, envelhecimento e afeto.
O projeto foi contemplado pela 10ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Circo para a Cidade de São Pauloe também realizou ações formativas gratuitas, incluindo oficinas de iniciação à palhaçaria, laboratório de cenas cômicas voltado para mulheres e uma roda de conversa sobre humor e tempos contemporâneos.
Temporada percorre diferentes regiões da cidade
As apresentações acontecem entre agosto e setembro em equipamentos culturais das zonas norte, leste, oeste, sul e centro de São Paulo.
Os ingressos são gratuitos e distribuídos uma hora antes de cada sessão nas bilheterias dos teatros.
Serviço
Não Aprendi Dizer Adeus
Temporada: agosto e setembro de 2026Ingressos: gratuitos (retirada uma hora antes de cada sessão)
Duração: 50 minutos
Classificação: 16 anos
Agosto
05 de agosto – 20h
Teatro Alfredo Mesquita
Av. Santos Dumont, 1770 – Santana
07 e 08 de agosto – 20h
Teatro Flávio Império
Rua Professor Alves Pedroso, 600 – Cangaíba
14, 15 e 16 de agosto
Teatro Cacilda Becker
Sexta e sábado às 20h | Domingo às 19h
Rua Tito, 295 – Lapa
15/08: sessão com audiodescrição16/08: sessão com intérprete de Libras
28, 29 e 30 de agosto
Teatro Paulo EiróSexta e sábado às 20h | Domingo às 19h
Avenida Adolfo Pinheiro, 765 – Santo Amaro
Setembro
10, 11 e 12 de setembro – 20h
IBT – Instituto Brasileiro de Teatro
Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 277
Mais informações:
@naoaprendidizeradeus e @barbarelasalome.
