Perfume Genius anuncia “Glory (Extended)” e lança o single “Undercurrent (Clean Heart)”
- eusoums

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Em 2025, Perfume Genius (Mike Hadreas) lançou o aclamado álbum Glory, que, junto com seus singles, apareceu em diversas listas de “melhores do ano” de 2025, incluindo NPR, The New York Times e Pitchfork. No mesmo período, o artista saiu em turnê mundial com sua banda, tocando para plateias lotadas — muitas vezes com ingressos esgotados. Perfume Genius apresentou a faixa “It’s A Mirror” no The Tonight Show Starring Jimmy Fallon, e a arte do álbum rendeu uma indicação ao GRAMMY® na categoria “Melhor Capa de Álbum”.
Hoje, Hadreas anuncia Glory (Extended), uma versão estendida digital do álbum, que inclui quatro faixas inéditas, entre elas “Undercurrent (Clean Heart)”, já disponível para streaming.
A nova edição será lançada em 27 de fevereiro, via Matador.

Hadreas comentou sobre a versão estendida e as novas músicas: “Todo o Glory nasceu dessas gravações caseiras. A maioria das músicas que entrou no disco foi construída apenas com piano e voz, uma forma de compor que eu não usava desde o começo da minha trajetória. Havia algumas faixas mais exploratórias que não se encaixaram totalmente, mas ainda assim considero que elas fazem parte do DNA do álbum e fico feliz em compartilhar algumas delas agora.”
Sobre “Clean Heart”, ele completa: “No estúdio, a música passou por muitas versões até chegarmos àquela mais bombástica que acabou ficando. Ainda penso nela como um pequeno hino, então é muito satisfatório poder compartilhar essa versão apenas com piano.”
Para Glory, Hadreas voltou a trabalhar com o produtor de longa data Blake Mills e com o tecladista e coautor Alan Wyffels. Mills também foi indicado ao GRAMMY de Produtor do Ano, Não Clássico, pelo trabalho neste álbum e em outros projetos. O disco explora temas recorrentes que moldam a trajetória artística de Hadreas, como o corpo e sua decadência, a domesticidade e o amor, além da história inevitável e dos danos que ela carrega.
Glory tem uma superfície impecável e uma base sensível e turbulenta. O sétimo álbum de Mike Hadreas é robusto, construído ao lado de seu parceiro de vida e de composição Alan Wyffels e do produtor Blake Mills, além da formação mais poderosa que o Perfume Genius já reuniu: as guitarristas Meg Duffy e Greg Uhlmann, os bateristas Tim Carr e Jim Keltner e o baixista Pat Kelly. Esses músicos canalizam sua força — e Hadreas, suas imagens sombrias e humor mordaz — para fins profundamente humanos. Perfume Genius escancara um ambiente mofado de alienação, desejo e anseio, deixando tudo isso exposto à luz do sol.
O conflito central do disco, segundo Hadreas, é o “vai e vem entre o interno e o externo”. Após mais de uma década divulgando álbuns cada vez mais ambiciosos, em turnês e sob os holofotes, isso entrou em choque com seu impulso natural ao isolamento. Em Glory, ele encontrou um novo processo de composição ao abraçar a dinâmica coletiva, abrindo espaço para que amigos ajudassem a desenvolver os arranjos. “Estou mais envolvido com a banda e com o público. Ainda estou em um momento intenso, mas há mais acesso e colaboração, o que torna tudo melhor — e também mais assustador, porque parece mais vulnerável”, diz.
Liricamente, as 11 faixas concisas revelam situações estranhas e quase indefiníveis, cenas de domesticidade e desespero vistas por um prisma queer e singular. Cada música funciona como um estudo de personagem, formando um elenco que inclui Dion, Angel, Tate e Jason — figura já conhecida de Set My Heart On Fire Immediately (2020) e de Ugly Season. Essas presenças flutuam por uma paisagem abstrata, enquanto o Perfume Genius as ancora com a precisão de um romancista. O resultado é hipnotizante e afirmativo, um verdadeiro álbum de cantor e compositor que se destaca como a obra mais eloquente e madura de sua carreira.
Hadreas define este trabalho como seu disco “mais diretamente confessional”. Ainda assim, ele não se revela por meio de relatos explícitos em primeira pessoa, mas por vinhetas compactas e cheias de tensão, usando personagens para explorar diferentes formas de intimidade: a união romântica de “Me & Angel”, a camaradagem quase infantil de “Hanging Out”, o afeto unilateral de “Full On” e a amizade delirante de “Capezio”. Seu talento para o humor funciona como contraponto à doçura e à ameaça presentes no álbum, mostrando um artista capaz de piscar para o público com a mesma facilidade com que o leva às lágrimas.
Se Glory soa tão pessoal, é porque reflete as ansiedades do próprio Hadreas e do mundo ao seu redor: os medos que acompanham o sucesso e a paranoia que permeia o espírito do tempo. “O que eu ganho sendo estabelecido?”, ele canta em “It’s A Mirror”. A casa surge como refúgio, mas também como um espaço onde hábitos e memórias exercem um poder perigoso. Entre arranjos arejados e o uso generoso do espaço acústico, o álbum soa, em muitos momentos, como uma coleção de novos clássicos para românticos queer e almas antigas à deriva no século 21.
Os cenários musicais variam entre baladas solenes e roqueiros intensos como “It’s A Mirror” e “No Front Teeth”, esta última com vocais etéreos de Aldous Harding. Essa justaposição aponta para uma nova forma de amadurecimento como cantor queer, rejeitando a ideia de que envelhecer seja uma tragédia e revelando as possibilidades que surgem depois da juventude. Glory amplia conceitos já explorados em Set My Heart On Fire Immediately, retratando a meia-idade como um período de reflexão, descoberta e reinvenção das relações.
“No silêncio da glória”, canta Hadreas no encerramento. Ele encontra sua glória não em se apagar ou se consumir, mas em se tornar uma versão melhor de si mesmo — complexa, falha, moldada pela experiência e, ainda assim, mais compassiva do que resignada. O álbum transmite uma mensagem clara e generosa: a forma como você vive agora está tudo bem, e aquilo que você ainda vai aprender sobre viver também estará.








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