Ícone do jornalismo em quadrinhos, revista Badaró anuncia mudanças
- eusoums

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Primeiro veículo brasileiro de quadrinhos jornalísticos passa a ter três edições impressas por ano, compilações de produções online, parceiros internacionais e novo slogan
A revista Badaró, primeiro veículo de língua portuguesa voltado ao jornalismo em quadrinhos, divulgou a circulação de sua nova edição impressa e anunciou uma série de mudanças. As mais notáveis são o nome da revista física e o slogan.

Após cinco edições experimentais, a revista impressa passa a se chamar Badaró Periódica e terá circulação quadrimestral. A alteração se dá com o objetivo de demarcar a nova fase. “Se simplesmente fosse mantido o nome ‘Badaró’ na publicação física, poderíamos ter uma confusão. A Badaró Periódica vem para reiniciar nossa versão impressa do zero. Ela não é a número seis; é como se reiniciasse tudo a partir daqui”, diz o diretor-executivo da revista, Norberto Liberatôr.
Segundo ele, o título também serve para deixar claro que, a partir de agora, a Badaró possui uma periodicidade regular. “Nas cinco edições anteriores, isso não era estabelecido. A Badaró lançava revistas como uma banda lança álbuns, sem um compromisso exato de que cada edição será dentro de um determinado espaço de tempo”, afirma Liberatôr. “Isso muda. Agora, a cada quatro meses as pessoas podem saber que vai ter um número novo”, ressalta o jornalista e ilustrador.
Liberatôr também explica que houve alterações nos planos de assinatura, organizados na plataforma ApoiaSe. “A partir de maio, trabalharemos com o conceito de artista do mês. Mensalmente, nossos assinantes dos planos que incluem materiais impressos vão receber um pôster de um artista diferente, feito exclusivamente para a Badaró”, pontua.
De acordo com o diretor da revista, o objetivo é aproximar ainda mais a Badaró de uma abordagem artística: “A ideia é que a revista seja não apenas um veículo que usa da arte para fazer jornalismo, mas que promove e incentiva artistas, sobretudo de fora dos grandes centros. Além dos pôsteres, vamos produzir matérias de perfil sobre esses ilustradores no nosso site, que serão postadas nas redes sociais”.
Já as produções online passarão a ter compilações periódicas. “Desde a última edição impressa experimental, existe uma separação muito clara entre site e revista física. O que vai para a impressa não é o que está no site”, conta Norberto. “No início, eram compilações de conteúdos online. Mais tarde entendemos que cada linguagem tem suas especificidades”, prossegue.
“Mas para que o site seja de fato uma revista digital, é importante ter edições também”, afirma o jornalista e ilustrador. “Estamos compilando por estações, desde o primeiro ano, para fechar coleções inteiras online com tudo o que foi publicado. Primavera de 2019, Verão de 2019 e assim por diante”, explica o diretor da revista.
Mudança no slogan
Outra alteração que chama a atenção é a do slogan. Depois de seis anos, a Badaró deixou de utilizar o já tradicional “Jornalismo em quadrinhos e narrativas híbridas”. Desde março, a revista passou a se definir como “Jornalismo ilustrado e narrativas híbridas”, uma mudança que parece pequena, mas revela uma outra abordagem no fazer jornalístico.
Liberatôr explica o motivo para a mudança. “O primeiro é ampliar o conceito. A Badaró nunca produziu só jornalismo em quadrinhos”, aponta. “Apesar de já utilizar antes o termo ‘narrativas híbridas’, que é bem amplo, ‘jornalismo ilustrado’ ajuda a passar melhor ao público o que é a revista, pois trabalhamos muito com colagens, design e conteúdos que, embora ilustrados, não são exatamente quadrinhos”, justifica o diretor da Badaró.
Ainda assim, Norberto destaca que a Badaró segue tendo nos quadrinhos jornalísticos sua principal forma de produção. “A Badaró foi o primeiro veículo de jornalismo em quadrinhos criado no Brasil e também na língua portuguesa. Talvez ainda seja o único. Esse foco não vai mudar. Ainda é a principal linguagem, mas era necessário um termo que abarcasse melhor as nuances desse tipo de jornalismo que fazemos”.
Parceiros internacionais
Outra novidade trazida para 2026 são as parcerias fixas com artistas estrangeiros, cujas produções têm sido publicadas no site e redes sociais da revista. A chilena Panchulei (nome artístico de Francisca Cárcamo), e o argentino César Agite (alcunha de César Busso), passam a ser parte da rede colaborativa da Badaró.
A revista brasileira publica os trabalhos de ambos com exclusividade em língua portuguesa. As traduções são feitas pelo próprio diretor, Norberto Liberatôr. “Sempre buscamos uma conexão forte com a América Latina. A Panchulei, embora viva na Espanha, é uma artista chilena e isso faz parte da sua identidade. O César tem um estilo mais satírico, mas seu trabalho ensina muito sobre a Argentina”, explica.
Panchulei é fundadora de um veículo que também utiliza ilustrações e quadrinhos para informar: a revista El Otro Archivo. Com edições temáticas que abordam questões sociais e ambientais, também há um portal online onde são postadas as produções, originalmente em espanhol.
César Agite é um dos principais nomes do humor gráfico argentino. Seu trabalho é conhecido principalmente pela revista Barcelona, tradicional publicação de jornalismo satírico do país hermano. Também colabora com os portais digitais Alegría e La Tinta. Suas tiras são marcadas pelo humor ácido e pelos temas sociais.
A Badaró
Fundada em 2019 por jornalistas recém-formados e estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a revista Badaró é pioneira em ter o jornalismo em quadrinhos como foco de sua produção. O nome é uma homenagem ao jornalista ítalo-brasileiro Giovanni Líbero Badaró, primeiro profissional da imprensa nacional a ser morto devido ao seu trabalho.
Inicialmente online, a revista passou a ter edições impressas em 2023, sem periodicidade fixa à época. Com presença em eventos acadêmicos e culturais, a Badaró também recebeu importantes premiações do jornalismo brasileiro. O Prêmio Vladimir Herzog, o Troféu Expocom e o Prêmio Megafone são algumas delas, além de uma indicação ao Troféu HQ Mix, maior prêmio dos quadrinhos nacionais.
A Badaró Periódica 1 tem como principal tema a política externa violenta de Donald Trump contra o Sul Global. A revista entrevistou a pesquisadora Aline Recalcatti, que aborda Cuba em sua tese de doutorado em Relações Internacionais. Também há uma entrevista com o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), entre outros conteúdos. A revista física pode ser adquirida no próprio site (revistabadaro.com.br/loja) ou por meio de assinatura (apoia.se/badaro). A Badaró também mantém forte presença no Instagram (instagram.com/revistabadaro).




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