top of page

Alhocca transforma ancestralidade e força feminina em narrativa no álbum visual “Rainha”

Entre baião, samba, repente e afrobeat, artista brasiliense conecta ritmos afro-brasileiros à produção contemporânea em projeto que também aposta em acessibilidade


Uma feijoada, uma casa ocupada por mulheres, memórias de família e a ancestralidade como ponto de partida. É nesse ambiente cotidiano e afetivo que Alhocca constrói o universo de “Rainha”, novo álbum visual em que a cantora e compositora olha para as próprias raízes para falar sobre identidade, autonomia e força feminina.


FOTO: ESTER CRUZ


Já disponível nas plataformas digitais, o disco reúne oito faixas e percorre diferentes territórios da música brasileira. Baião, samba, pagode, repente e forró aparecem ao lado de afrobeat, amapiano, guitarras, sintetizadores e linhas de baixo contemporâneas.

Mais do que reunir gêneros diferentes, “Rainha” acompanha uma espécie de jornada de transformação. A narrativa parte da ancestralidade materna e avança até a ideia de uma coroação que não depende do reconhecimento externo. Aqui, tornar-se rainha significa reconhecer a própria história e assumir o controle dela.


“Esse foi um álbum que me fez aprender muito e evoluir muito como artista, e ainda trouxe uma camada a mais para o meu trabalho que eu acho que é fundamental para que as pessoas possam me conhecer”, conta Alhocca.


Do repente ouvido na estrada a um álbum de brasilidades


Curiosamente, o ponto de partida para “Rainha” surgiu longe do estúdio. Durante uma viagem de carro pelo interior de Minas Gerais, Alhocca e o marido ouviam músicas aleatórias no rádio quando um repente chamou sua atenção.


Da provocação de experimentar aquela linguagem surgiram as primeiras rimas de “Mulher Virando Cobra”. A composição ficou guardada por um período, até que outra música começou a indicar o caminho que o projeto poderia seguir.


“A Preta Chegou” havia sido imaginada inicialmente como uma espécie de cantiga de roda em looping, mas ganhou naturalmente a estrutura de um samba. Foi quando Alhocca percebeu que havia ali espaço para construir um disco inteiro interessado em suas referências culturais e ancestrais.


“A partir daí, a gente percebeu que havia a possibilidade de fazer um álbum de brasilidades, onde a gente pudesse expressar nossas ancestralidades e as sonoridades mais brasileiras”, explica.


Essa pesquisa aparece de maneiras diferentes ao longo do repertório. A abertura “Mainha a Me Guiar” transforma o baião em homenagem à força matriarcal e termina com bênçãos em iorubá. Em “Desculpinhas”, Alhocca divide os vocais com a sambista Dhi Ribeiro em um pagode bem-humorado sobre autonomia, amizade e o direito de escolher os próprios caminhos.


Já “A Preta Chegou” trabalha a ideia de encerramento de ciclos, enquanto “Mulher Virando Cobra” coloca guitarras distorcidas sobre um repente que transforma a metamorfose feminina em imagem de poder e enfrentamento.


A coroação vem de dentro


É na faixa-título que a narrativa encontra seu ponto de chegada. Construída sobre uma base de afrobeat e marcada por arranjos de trompas, “Rainha” coloca passado e presente em diálogo enquanto Alhocca revisita escolhas, dúvidas e o preço de assumir a própria identidade.


A coroação sugerida pelo título, portanto, não acontece como uma concessão. É uma conquista pessoal.


O repertório ainda se expande por outras sonoridades. “A Lua Espia” encontra o forró pé-de-serra, “Loba” aproxima o amapiano da percussão brasileira e “Sonho Ancestral” encerra o projeto olhando para resistência, pertencimento e para a possibilidade de construir o futuro a partir de uma relação mais consciente com o passado.


Essa diversidade também chega às imagens. O álbum se desdobra em cinco videoclipes, construídos em torno do cotidiano de uma casa de mulheres e de uma feijoada comunitária que reúne mãe, filhas e amigos. Os vídeos chegam ao YouTube em 28 de agosto.


Um álbum pensado para alcançar públicos diferentes


Viabilizado pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal, o FAC-DF, “Rainha” também incorpora acessibilidade à própria concepção audiovisual. Os videoclipes contam com Libras, audiodescrição e legendas.


A preocupação nasceu ainda durante a graduação de Alhocca em Dança, quando a convivência com um colega surdo fez a artista perceber como parte da produção cultural ainda pode excluir determinados públicos.


“Essas pessoas, e diversas pessoas, consomem de formas diferentes, e é um caminho da gente se desafiar a ser criativo nas nossas criações e nos nossos fazeres artísticos para alcançar novas pessoas e de formas diferentes”, afirma.


Cantora, compositora e performer, Alhocca vem construindo uma produção independente que já reúne dezenas de músicas autorais e videoclipes. Em 2024, venceu o Festival Cine de Expressão com “Sem Tempo pra Brincar”, eleito Melhor Videoclipe do Centro-Oeste, e, no ano seguinte, recebeu o prêmio de Criação Centro-Oeste POP na 8ª edição do Prêmio Profissionais da Música.


Com “Rainha”, essa trajetória ganha um trabalho que parece interessado menos em escolher entre tradição e contemporaneidade do que em mostrar como as duas podem existir no mesmo corpo.


Ao transformar a casa, a mãe, a música popular e a ancestralidade em elementos de uma mesma narrativa, Alhocca faz de “Rainha” uma celebração da mulher que olha para quem veio antes dela para descobrir quem deseja ser daqui para frente.

 
 
 

Comentários


 ÚLTIMAS NOTÍCIAS:  #EUsouMS Entrevista: Descubra arte com a Galeria MEIA SETE

#EUsouMS POSTS-4.png
#EUsouMS POSTS-4_edited.png

© 2025 #EUsouMS 

Onde devo ir? Quem devo conhecer? Qual comida tenho que experimentar? Essas são algumas das perguntas fundamentais que nós fazemos diariamente. Com este espaço queremos mostrar para todos qual é a identidade do nosso estado. Este site surgiu com um único propósito: Ser o local de encontro e de referência da cultura, das pessoas, dos sabores e dos lugares do Mato Grosso do Sul. Por isso leia, conheça, compartilhe e viva o MS com a gente! 

  • Branco Facebook Ícone
  • Branco Twitter Ícone
  • Branca Ícone Instagram

Sugestão de pauta? contato.eusoums@gmail.com

Desenvolvido por facaseu.site

bottom of page