Erykah Badu e The Alchemist unem universos em “Witch Doctor” e anunciam álbum conjunto
- eusoums

- há 22 minutos
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Após anos de aproximação criativa, dois dos nomes mais singulares da música norte-americana transformam soul, jazz e hip-hop underground em um projeto colaborativo que chega em agosto

Existem encontros musicais que parecem improváveis até acontecerem. Erykah Badu e The Alchemist pertencem a universos diferentes, mas compartilham justamente aquilo que tornou suas carreiras tão particulares: uma certa resistência a caber em categorias. Agora, os dois levam essa afinidade para um álbum inteiro.
A dupla acaba de lançar “Witch Doctor”, segundo single de um projeto colaborativo que chega às plataformas digitais em 28 de agosto, pela Control FREAQ Records e Young Recordings. A faixa sucede “Next To You” e oficializa uma parceria construída lentamente entre Dallas e Los Angeles.
O álbum foi desenvolvido durante cerca de 18 meses, mas sua origem remonta a mais de três anos, quando Badu comentou com seu colaborador Cold Cris que gostaria de rimar sobre “The Realest”, do Mobb Deep, produzida por The Alchemist. A conexão veio pouco depois e revelou que o interesse era recíproco.
Da primeira sessão dos dois em Los Angeles nasceu “Next To You”. A partir dali, Alchemist passou a enviar instrumentais para Badu, que não se limitou a colocar sua voz sobre as bases. A cantora desmontou, reorganizou e acrescentou novas camadas às produções, incorporando instrumentos, acordes, bateria e até kalimba.
Um encontro sem gênero definido
Essa construção ajuda a explicar a proposta do álbum. Em vez de simplesmente colocar Erykah Badu sobre a produção característica de The Alchemist, a parceria procura estabelecer uma linguagem própria.
Soul, blues, funk, rock, jazz e hip-hop underground aparecem misturados sem que o trabalho se acomode completamente em qualquer um desses territórios.
Para Badu, o projeto também representa um retorno importante ao formato de álbum. A artista passou os últimos anos entre turnês, maternidade, ensino e seu trabalho como doula, enquanto mantinha uma produção fonográfica bem mais espaçada. Seu último projeto havia sido lançado há 11 anos, e já são 16 anos desde seu último álbum de estúdio oficial.
The Alchemist seguiu pelo caminho praticamente oposto. O produtor manteve uma das trajetórias mais prolíficas do hip-hop contemporâneo, acumulando discos e colaborações, entre elas Alfredo 2, reencontro com Freddie Gibbs após o álbum indicado ao Grammy lançado pela dupla em 2020.
É justamente desse contraste que nasce parte da curiosidade em torno da parceria: de um lado, uma artista conhecida por trabalhar sem pressa e transformar cada nova fase em acontecimento; do outro, um produtor cuja criatividade parece funcionar em movimento permanente.
Antes do streaming, o palco
O álbum também ganhou forma longe das plataformas. Entre 2024 e 2025, Badu e Alchemist começaram a experimentar as músicas ao vivo em apresentações intimistas, ao lado do coletivo The Cannabinoids, com Alchemist operando o MPC.
Os encontros aconteceram sem smartphones e funcionaram quase como um laboratório. As faixas foram sendo modificadas e lapidadas diante do público antes de chegarem às versões definitivas.
“Witch Doctor” surge agora como mais uma peça desse quebra-cabeça e prepara o terreno para um disco que promete menos uma colisão entre duas assinaturas conhecidas e mais a criação de uma terceira identidade.
Depois de décadas construindo carreiras justamente pela capacidade de escapar das expectativas, Erykah Badu e The Alchemist parecem ter encontrado um no outro espaço para continuar fazendo exatamente isso.



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