Arte, sustentabilidade e infância se encontram nos muros de escolas de Campo Grande
- eusoums

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Projeto “ODS nos Muros” transforma cinco escolas municipais em grandes telas e coloca as histórias e os olhares dos estudantes no centro da criação artística
Um muro pode separar espaços, mas também pode contar histórias. Em cinco escolas municipais de Campo Grande, paredes antes comuns estão ganhando cores, personagens e narrativas criadas a partir do olhar das próprias crianças sobre o mundo em que vivem.

É essa a proposta do “Ação Educativa – ODS nos Muros”, projeto da Fuá Produções que aproxima arte, educação e sustentabilidade ao convidar artistas mulheres para transformar os muros de escolas públicas em obras inspiradas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Mas, desta vez, as crianças não aparecem apenas como espectadoras. Suas histórias, desenhos, experiências e percepções ajudam a construir aquilo que posteriormente ganha escala nas paredes.
A última oficina educativa desta edição acontece em 27 de agosto, na Escola Municipal Indígena Sulivan Silvestre Oliveira, localizada na Aldeia Urbana Marçal de Souza, em Campo Grande.
Antes do mural, vem a escuta
A atividade será conduzida pela atriz e escritora Lígia Prieto, utilizando a metodologia “Escuta da Criação”. Durante quatro horas, os estudantes serão estimulados a trabalhar pertencimento, imaginação e construção de histórias a partir da experimentação artística.
O processo também passa literalmente pela terra. As crianças produzem pinturas utilizando pigmentos naturais feitos com materiais como urucum, açafrão, café e carvão.
“A gente trabalha com as experiências, os desejos e os olhares dos alunos, transformando isso em histórias e criações. A partir daí, elas partem para pinturas com tintas naturais”, explica Lígia.
O material produzido nas oficinas segue então para as muralistas, funcionando como referência para a criação das obras.
Essa participação é uma das principais diferenças em relação à primeira edição do projeto, realizada em 2023. Naquele ano, 17 escolas estaduais receberam murais relacionados aos ODS, acompanhados por conversas entre estudantes do Ensino Médio e as artistas.
Agora, trabalhando com crianças e pré-adolescentes do Ensino Fundamental, o projeto decidiu mudar a dinâmica.
“As pinceladas dos alunos estarão na obra das artistas, e isso faz com que haja identificação com os murais. Mesmo que seja num lugar um pouco mais sutil, mas que aconteça de maneira mais potente”, afirma Julia Basso, idealizadora e coordenadora da Fuá Produções.
Cinco escolas, diferentes maneiras de olhar para o futuro
Nesta edição, o projeto circula por cinco regiões de Campo Grande e trabalha sete dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Na Escola Indígena Sulivan Silvestre Oliveira, a artista Kami Macena, da etnia Terena, desenvolve uma obra relacionada ao ODS 15, Vida Terrestre. Ancestralidade, natureza, território e memória fazem parte do repertório visual da artista.
O processo terá uma particularidade. Como a oficina acontece quando a pintura já estiver iniciada, Kami pretende deixar o mural aberto para receber posteriormente elementos surgidos nas criações das crianças.
Na Escola Municipal Doutor Eduardo Olímpio Machado, Lais Rocha, a Bejona, trabalha os temas Saúde e Bem-Estar e Trabalho Decente e Crescimento Econômico. Já Thalya Veron aborda Redução das Desigualdades e Igualdade de Gênero na Escola Municipal Plínio Mendes dos Santos.
Ariadne Dino desenvolve o tema Educação de Qualidade na Escola Municipal Professora Elizabel Maria Gomes Salles, enquanto Marilena Grolli trabalha Vida na Água na Escola Municipal Professor Alcídio Pimentel.
É nesse encontro entre conceitos globais e experiências muito particulares que o projeto encontra alguns de seus momentos mais simbólicos.
Thalya conta que duas estudantes chegaram a se emocionar ao reconhecer no mural elementos de uma história criada durante a oficina, sobre uma amizade que enfrenta o preconceito e o bullying.
“Foi quando elas começaram a chorar, me abraçaram e disseram que eram elas. Isso mostra que a arte ocupa esse lugar de reconhecimento, atravessa pessoas e cria conexões”, recorda.
Sustentabilidade também pode começar pela imaginação
Criados pela ONU, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável integram a Agenda 2030 e reúnem 17 compromissos relacionados a questões como redução das desigualdades, educação, igualdade de gênero, preservação ambiental, combate à pobreza e construção de cidades mais sustentáveis.
No “ODS nos Muros”, temas que poderiam parecer distantes do cotidiano infantil são traduzidos por meio daquilo que as crianças conhecem melhor: suas próprias experiências.
A sustentabilidade deixa, assim, de aparecer apenas como conceito e passa a ocupar fisicamente o espaço onde esses estudantes crescem, aprendem e convivem.
E talvez esteja justamente aí a força do projeto. Quando uma criança consegue olhar para um mural de sua escola e encontrar ali um desenho, uma história ou uma ideia que nasceu dela própria, aquela parede deixa de ser apenas parte do prédio.
Passa também a guardar um pouco de quem vive naquele lugar.
O projeto “Ação Educativa – ODS nos Muros” é realizado pela Fuá Produções, em parceria com Mucha Tintas e Bernardo Bravo Produções, com financiamento do Fundo Municipal de Investimentos Culturais (FMIC), da Fundação Municipal de Cultura (Fundac) e da Prefeitura de Campo Grande, além do apoio da Secretaria Municipal de Educação (Semed).
Serviço
Oficina de criação do projeto “Ação Educativa – ODS nos Muros”
Ministrante: Lígia Prieto
Data: 27 de agosto, quinta-feira
Horário: das 13h às 17h
Local: Escola Municipal Indígena Sulivan Silvestre Oliveira
Endereço: Rua Terena, 88, Aldeia Urbana Marçal de Souza, Campo Grande (MS)
Mais informações: @fuaproducoes




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