Brô MC’s viraliza ao citar 17 povos indígenas em “OKE”, parceria com Anitta
- eusoums

- há 7 horas
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Trecho que encerra EQUILIBRIVM II virou trend nas redes sociais, ganhou vídeo da própria Anitta e amplia a visibilidade dos povos originários brasileiros
Um dos momentos mais simbólicos de EQUILIBRIVM II, novo álbum de Anitta, ganhou vida própria nas redes sociais. A participação do Brô MC’s em “OKE”, faixa que encerra o disco, viralizou a partir de um trecho em que o grupo sul-mato-grossense cita 17 povos indígenas brasileiros em sequência.

Pataxó, Tikuna, Múra, Terena, Turuwara, Guajajara, Potiguara, Tapeba, Tupinambá, Ianomami, Kayapó, Munduruku, Ashaninka, Kalapalo, Makuxi, Xucuru e Guarani-Kaiowá aparecem nos versos que passaram a ser reproduzidos por criadores de conteúdo, artistas e influenciadores no Instagram e TikTok.
A trend cresceu a ponto de chegar à própria Anitta, que publicou um vídeo cantando a sequência de povos citados na música. Mais do que um refrão fácil de reproduzir, o movimento colocou nomes de diferentes etnias no centro de uma tendência pop e despertou a curiosidade de parte do público sobre a diversidade dos povos originários que vivem no Brasil.
Do Mato Grosso do Sul para o novo álbum de Anitta
“OKE” reúne Anitta, Brô MC’s e a rapper indígena Katú Mirim e fecha um projeto no qual a cantora explora diferentes referências culturais e sonoras brasileiras. Na faixa, ancestralidade, espiritualidade, natureza e futuro aparecem conectados à presença e à resistência dos povos indígenas.
O alcance também começa a aparecer nos números. Segundo os dados divulgados pela produção, “OKE” já ultrapassou 4 milhões de reproduções no Spotify, além de acumular milhões de execuções e visualizações em outras plataformas de áudio, vídeo e redes sociais.
Para o Brô MC’s, a repercussão representa mais um passo em uma trajetória que há anos leva a realidade indígena para espaços pouco habituados a ouvi-la.
Formado por Bruno Vn, Clemerson Batista, Kelvin Mbaretê e CH MC, o grupo nasceu entre as aldeias Jaguapiru e Bororó, em Dourados, Mato Grosso do Sul, e é considerado o primeiro grupo de rap indígena do Brasil. Os integrantes são Guarani-Kaiowá e transformaram o rap em instrumento para narrar identidade, território, resistência e cotidiano.
Nos últimos anos, essa música atravessou fronteiras. O Brô MC’s passou por palcos e eventos como o Grammy Latino, Global Citizen Festival, G20 e Rock in Rio, além de desenvolver trabalhos ao lado de Alok.
Quando uma trend também vira visibilidade
A viralização de “OKE” chama atenção justamente por inverter uma dinâmica comum das redes. Em vez de reduzir uma referência cultural a uma estética passageira, o trecho coloca os próprios nomes dos povos no centro da brincadeira.
Em poucos segundos, uma audiência que talvez nunca tivesse ouvido falar de algumas dessas etnias passa a cantar seus nomes, procurar seus significados e entrar em contato com uma pequena amostra da diversidade indígena brasileira.
Para o Brô MC’s, que construiu sua carreira fazendo o rap dialogar diretamente com a identidade Guarani-Kaiowá, a trend amplia uma mensagem que já estava presente muito antes da parceria com uma das maiores estrelas do pop brasileiro. Em “OKE”, o viral não está apenas na música. Está também em quem finalmente ganha espaço para ser ouvido.



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