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Do coral à cultura Ballroom, Palco Sol atravessa diferentes linguagens no Festival de Inverno de Bonito

  • Foto do escritor: eusoums
    eusoums
  • há 11 horas
  • 3 min de leitura

Segundo dia do FIB reuniu crianças, jovens e artistas de Mato Grosso do Sul em uma programação que passou por música, balé, poesia, stand-up e dança contemporânea

Em poucas horas, o mesmo palco recebeu um coral formado por mais de 40 crianças e adolescentes, transformou a poesia de Manoel de Barros em movimento, abriu espaço para o humor ácido do stand-up e terminou a noite celebrando a cultura Ballroom.


Na quinta-feira (27), o Palco Sol, instalado na Praça da Liberdade, funcionou como uma espécie de retrato da diversidade artística que atravessa o Festival de Inverno de Bonito 2026. Em vez de apostar em uma única linguagem, a programação colocou diferentes gerações e formas de expressão em sequência.



E a primeira delas veio carregada de emoção.


Mais de 40 vozes abrem a programação


Crianças e adolescentes do Coral Voz e Afeto, do Projeto Garoto Cidadão, foram os primeiros a ocupar o palco.


Mais de 40 jovens participaram da apresentação, levando ao Festival um trabalho em que música e formação caminham juntas.


Para o coordenador local do projeto, Flávio Teixeira, subir ao palco de um evento como o FIB também significa ampliar as referências de quem ainda está descobrindo suas próprias possibilidades.

“O intuito do projeto não é só formar músicos ou dançarinos, mas dar a oportunidade de conhecerem um novo universo de possibilidades”, explica.


Aos 11 anos, Helena Vieira Lopes já conhece bem a sensação de se apresentar no Festival de Inverno. Ela participa do evento desde pequena e voltou ao palco nesta edição.


“Para mim é muito gratificante, me sinto super feliz, até porque desde pequenininha eu canto. Eu já me apresentei no Festival de Inverno outras vezes”, conta.


Manoel de Barros vira dança


Depois das vozes, vieram os corpos.


O Corpo de Dança Sesc MS, formado por jovens bailarinos do Sesc Lageado, em Campo Grande, apresentou uma mostra que atravessou balé clássico, neoclássico, jazz, dança contemporânea e estilo livre.


A literatura também entrou nessa conversa com “Cor(po)ético”, espetáculo de dança contemporânea inspirado no universo de Manoel de Barros.


Se o poeta pantaneiro fez carreira reinventando palavras, dimensões e aquilo que normalmente passa despercebido, a montagem procura transportar essa lógica para o corpo. Movimento e imobilidade transformam a poesia em gesto e criam outra maneira de entrar em contato com uma das obras literárias mais associadas a Mato Grosso do Sul.


Humor ácido encontra o cotidiano


O Palco Sol também trocou a contemplação pela risada.


A comediante, roteirista e diretora sul-mato-grossense Larissa Câmara apresentou o stand-up “Cheia de Alegria! MS”, levando para Bonito um texto que encontra humor em comportamento, cotidiano e cultura pop.


Natural de Campo Grande, Larissa aposta em uma comédia mais ácida para observar situações que poderiam facilmente passar despercebidas fora do palco.


Na sequência, a bailarina e coreógrafa Frantielly Khadija voltou a colocar a dança no centro da programação com o espetáculo “Desvio”.


Ballroom encerra a noite com identidade e pertencimento


Para fechar a quinta-feira, o palco recebeu uma linguagem artística que nasceu justamente da necessidade de criar espaços próprios de expressão.


A House Of Golden levou a cultura Ballroom para a Praça da Liberdade em uma apresentação que combina dança, performance, identidade e pertencimento.


Com movimento iniciado em Dourados, o trabalho se conecta à tradição Ballroom construída historicamente por comunidades LGBTQIAPN+, especialmente negras, latinas e periféricas, transformando performance e competição também em espaços de acolhimento e celebração.


A presença da House Of Golden fechou uma programação em que as diferenças não apareceram apenas entre estilos artísticos, mas também nas histórias e experiências de quem ocupou o palco.


Do coral infantil ao Ballroom, passando por Manoel de Barros, balé e stand-up, a quinta-feira mostrou que um festival não precisa escolher entre linguagens para construir sua identidade.


No Festival de Inverno de Bonito, pelo menos no Palco Sol, a graça esteve justamente em colocá-las lado a lado.


Texto-base: Débora Bordin

Foto: Altair Santos

 
 
 

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