Dos doramas para Bonito: culinária coreana ganha espaço no Festival de Inverno
- eusoums

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Carreta da Gastronomia transforma fenômeno da cultura pop asiática em experiência gastronômica com hot dog coreano, milk tea, egg drop e outros sabores que conquistaram o público brasileiro
Primeiro vieram as séries, as músicas e os ídolos. Depois, a curiosidade chegou à mesa. A expansão da cultura sul-coreana pelo mundo também transformou pratos e receitas em objetos de desejo para quem acompanha doramas, K-pop e outros fenômenos da chamada onda coreana.

Em Bonito, essa conexão entre entretenimento e comida ganhou uma experiência prática durante o Festival de Inverno de Bonito 2026.
Estacionada em frente à Praça da Liberdade, a Carreta da Gastronomia do Senac dedicou a programação desta quinta-feira (27) aos sabores que ganharam popularidade junto com a cultura coreana. O público pôde aprender a preparar hot dog coreano, korean garlic bread, egg drop, milk tea e bento cake.
Mais do que provar as receitas que aparecem constantemente nas telas e redes sociais, os participantes tiveram a oportunidade de entender como elas são preparadas e reproduzi-las em casa.
Quando assistir a um dorama dá vontade de entrar na cozinha
Para a chef e docente do Senac Andréia Diniz, que atua nas áreas de panificação e confeitaria, a escolha da Coreia não aconteceu por acaso. Existe hoje uma demanda crescente por produtos ligados à gastronomia do país.
“Ela tomou proporções em todo o nosso país, no mundo todo, na verdade, através dos doramas. Então a gente decidiu trazer para os nossos alunos um pouco de conhecimento sobre essa cultura”, explica.
Essa influência já pode ser percebida também em Mato Grosso do Sul. Segundo Andréia, lojas especializadas em produtos coreanos e estabelecimentos que incorporam receitas asiáticas aos cardápios começaram a encontrar espaço no Estado. Os pratos também aparecem cada vez mais em feiras e festivais.
A cultura pop, nesse caso, acaba funcionando como porta de entrada para algo muito mais amplo. Quem começa interessado em uma série pode terminar pesquisando ingredientes, costumes, idiomas e receitas.
Foi exatamente o que aconteceu com o professor de educação ambiental Kelvin Monson Cerpa, morador de Bonito e participante das atividades.
“Eu assisto alguns doramas. Fico desejando aquelas receitas, aquelas comidas. Então ver, fazer e poder reproduzir em casa vai ser bem legal”, conta.
Milk tea, hot dog e outros sabores que viralizaram
Ao lado de Andréia, a chef Vera Krabbe, docente da Escola de Turismo e Gastronomia do Senac Mato Grosso do Sul, apresentou algumas das tendências que atravessaram fronteiras nos últimos anos.
Entre elas está o milk tea, bebida gelada preparada a partir da combinação de chá e leite, acompanhada por pérolas feitas com tapioca ou sagu.
“Nós vamos apresentar o milk tea, que é uma bebida gelada à base de gelo, chá e leite, com a goma da tapioca ou sagu”, explica Vera.
Na programação também apareceram receitas que se tornaram bastante reconhecíveis nas redes sociais, como o hot dog coreano, geralmente caracterizado pela massa que envolve o recheio, o korean garlic bread, o sanduíche egg drop e os pequenos e decorados bento cakes.
A seleção mostra como a gastronomia asiática deixou de ocupar apenas restaurantes especializados para entrar no repertório de uma geração que descobre comida também pelo TikTok, Instagram, YouTube e pelas produções audiovisuais que consome.
Gastronomia também é cultura
Para o estudante João Gabriel Chaparro Lopes, do segundo ano do Ensino Médio e morador de Bonito, a oficina foi justamente uma oportunidade de experimentar presencialmente algo que já fazia parte de seu universo cultural.
“Desde sempre apreciei a cultura da Coreia, da Ásia. Quando vi que ia ter aqui no Festival uma coisa que ia trazer essa cultura para cá, quis participar. Também estava há bastante tempo com vontade de comer comidas desse tipo”, conta.
A fala ajuda a explicar por que a gastronomia ocupa um espaço cada vez maior dentro de festivais culturais. Comida também carrega história, identidade, memória e modos de viver.
“A gastronomia é cultura. Então é um festival de cultura e ele abrange várias outras vertentes”, resume Kelvin.
No Festival de Inverno de Bonito, a experiência coreana mostrou ainda outra possibilidade: usar aquilo que está em alta na cultura pop como ponto de partida para conhecer uma cultura para além das telas.
Porque, depois de assistir aos personagens de um dorama compartilhando comida durante episódios inteiros, aprender a preparar alguns daqueles pratos talvez seja a maneira mais saborosa de diminuir a distância entre Seul e Bonito.
Texto-base: Karina Lima
Fotos: Elias Campos




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