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Fora da Curva: "Opção Sexual"

Vamos falar sobre escolhas? Decisões? Opções?


As pessoas podem optar pelo sabor de um sorvete, um estilo de roupa, que lugar ir, mas existem coisas e situações que não são escolhas, como a sexualidade!


Ninguém escolhe ou opta por ser de uma sexualidade que a grande maioria sente nojo, que é “reprovada por deus”, ninguém escolhe viver uma vida mais difícil.


Até mesmo a prática do sexo homossexual exige alguns cuidados a mais, tudo é mais difícil e violento quando se trata de viver a realidade homossexual. Sair de casa sempre é um perigo, em especial se você é um gay assumido, afeminado ou trans.


Grupos da escola te excluem, colegas de trabalho fazem comentários extremamente desagradáveis e segregadores, você é alvo de fofocas e deboches, sem falar da grande solidão da gay que cresce em meio a pessoas tão diferentes e que o rejeitam, gerando uma conduta contínua de busca por aprovação.





Nós, gays, somos os melhores (ou tentamos) nos estudos, na profissão que exercemos, como artistas, e em quase tudo que fazemos, não apenas porque não temos uma família para a qual devemos dar atenção, mas porque temos a constante necessidade de aceitação, já que sentimos e presumimos que o social vai nos rejeitar por causa da sexualidade.


Para quem não sabe, a homossexualidade existe desde que existe vida, seja entre humano ou entre animais, aliás, a prática da homossexualidade é natural e foi demonizada especialmente com o surgimento do cristianismo, o marco onde pessoas se sentem no direito de dizer o que é certo ou errado de acordo com suas interpretações do livro que dita suas normas, o mesmo que traz inúmeras regras absurdas e que não são questionadas ou motivadoras de julgamentos tão violentos.


De forma científica, é possível contemplar o trabalho de doutorado do psicólogo Pedro Paulo Sammarco Antunes em Homofobia Internalizada que explica o “complexo vivencial” que é a sexualidade:


Segundo as ciências biomédicas, a atividade sexual pode ser dividida em três fases: desejo, excitação e orgasmo. Muito ao contrário do que pensam alguns, o desejo sexual do ser humano adulto e consciente não se compara à simples pulsões fisiológicas, como é o caso da fome ou da sede. Considera-se que o desejo sexual seja um complexo vivencial formado por três componentes principais; a biologia, a psicologia e a socialização (Costa, 1994; Galimberti, 2010). O termo “orientação do desejo afetivo sexual” ou simplesmente “orientação sexual” surgiu na década de 1980, nas ciências biomédicas, como forma de demonstrar a natureza profundamente enraizada e biológica do desejo afetivo sexual (Herek apud Silva, 2007 a).[1] (grifo nosso)


Ainda, Vanessa Sardinha dos Santos afirma que “A sexualidade é uma condição humana que é construída durante toda a vida do indivíduo, iniciando ainda na infância. Ela é influenciada por diversos fatores, como biológicos, psicológicos, sociais, políticos, culturais, históricos, econômicos e religiosos[1].


A não aceitação da sexualidade vêm sendo motivo de suicídios e assassinatos, quando deveria ser algo natural, e, na verdade nem deveria ser um tópico tão discutido se a questão moral não violentasse tanto a sua existência. Deveríamos apenas existir, como parte do conjunto de predicados que diferencia o ser humano um do outro em sua subjetividade.

Dráuzio Varela ao relatar os fatores que podem determinar a sexualidade questiona “(...) por que é tão difícil aceitarmos a riqueza da biodiversidade sexual de nossa espécie? Por que insistirmos no preconceito contra um fato biológico inerente à condição humana?[2]


Saibam, héteros, que sexualidade não se influencia ou se ensina. Ninguém convence ou ensina outra pessoa a ser gay, até porque nós nascemos e crescemos recebendo influência de sexualidade hétero e mesmo assim não somos iguais a vocês.


Por que vocês acham que temos o poder de converter pessoas em gay se vocês mesmos foram incompetentes em influenciar nós a sermos da mesma ORIENTAÇÃO SEXUAL que vocês?!


A minha sexualidade não influencia a sua.


A minha existência não ameaça a sua.


Eu não tenho poder de mudar a sexualidade de ninguém, tirem essa ilusão de que temos essa capacidade.


Opção você faz quando é dado a você a possibilidade de escolha de querer e desejar entre variedades. Pois saiba que desejo não se escolhe. O desejo é íntimo e sua repressão é geradora de doenças psíquicas e físicas. Nós não temos que escolher não exercer nosso desejo apenas porque vocês não conseguem entender nada que esteja além do seu corpo e crenças.

[1] SANTOS, Vanessa Sardinha dos. "Sexualidade"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/sexualidade. Acesso em 19 de junho de 2022. [2] https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/artigos/causas-da-homossexualidade-artigo/

[1] A636H Antunes, Pedro Paulo Sammarco Homofobia Internalizada: o preconceito do homossexual contra sim mesmo / Pedro Paulo Sammarco Antunes. – [1.ed.]. – São Paulo: Annablume, 2017, p. 28

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