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ROTA CINE MS começa com casa cheia no MIS

  • Foto do escritor: eusoums
    eusoums
  • há 45 minutos
  • 4 min de leitura

Oficina inaugural supera previsão de vagas e abre ciclo de formação audiovisual 


A primeira atividade formativa do ROTA CINE MS, realizada entre os dias 26 e 30 de janeiro, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em Campo Grande, registrou participação acima do esperado e marcou o início das ações do projeto voltadas ao fortalecimento do audiovisual em Mato Grosso do Sul. A oficina “Roteiro e Projeto” teve 82 inscritos e manteve média diária de 35 participantes, superando a previsão inicial de 20 vagas. As atividades aconteceram das 18h às 22h, ao longo de cinco dias.


Com 20 horas de carga horária, a oficina apresentou conteúdos estratégicos para a viabilização de projetos audiovisuais fora dos grandes centros de produção. Entre os temas abordados estiveram a elaboração de projetos para editais, a estruturação de orçamentos, a importância do roteiro no desenvolvimento das obras e técnicas de apresentação de projetos no mercado audiovisual. O último encontro foi dedicado a atividades práticas, com a apresentação de projetos autorais e uma simulação de pitch, defesa oral rápida e objetiva voltada à captação de recursos e parcerias.


Segundo o cineasta e produtor Fábio Flecha, o interesse acima do esperado demonstra um momento favorável para a discussão do audiovisual no país. “A presença acima do previsto nos deixou muito contentes e mostrou que estamos em um ótimo momento para falar de audiovisual. O Brasil levou um Oscar no ano passado e concorre novamente este ano, o que desperta a atenção dos mais jovens e incentiva muitas pessoas a querer entender como funciona esse segmento”, afirma.


Dando continuidade ao calendário formativo, o ROTA CINE MS já tem novas oficinas confirmadas ao longo de 2026. A Oficina 2 – Produção e Finalização acontece de 13 a 17 de abril, mantendo o mesmo formato da etapa inicial. Já a Oficina 3 – Difusão e Comercialização será realizada entre os dias 08 e 12 de junho, ampliando o debate para as etapas finais do ciclo audiovisual, como circulação, exibição e estratégias de venda das obras. Ambas as oficinas serão novamente no MIS.  


Para a produtora Tânia Sozza, a diversidade do público foi um dos pontos fortes da primeira turma. “Tivemos pessoas que estão começando a entender como funcionam os editais, profissionais que já atuam na área e estudantes de diferentes formações, não apenas do audiovisual. Nesta primeira oficina, reforçamos a criação e a formatação de roteiro e projetos. Na segunda etapa, vamos focar na produção, da fase inicial até a final, e depois na distribuição”, explica.


Ainda segundo Flecha, a próxima oficina terá caráter ainda mais prático. “Vamos ensinar o ‘caminho das pedras’. No segundo encontro, vamos passar informações que ajudam a viabilizar o que foi aprendido nesta primeira oficina. Para mim, roteiro bom é aquele que vira filme, que é produzido. Talvez atraia um público diferente, de profissionais que já atuam, mas que ainda não encararam uma produção maior”, observa.


Fábio Flecha e Tânia Sozza acumulam mais de 20 anos de experiência no mercado audiovisual e são fundadores da Render Brasil Produções, produtora responsável por 17 filmes premiados em festivais nacionais e internacionais. A proposta pedagógica do projeto alia experiência prática à reflexão crítica sobre os desafios e possibilidades da produção audiovisual fora do eixo tradicional.


Repercussão entre os participantes


No último dia da oficina, Mateus Gomes Andrade, formado em audiovisual pela UFMS, exibiu duas produções autorais: “Em Direção à Ítaca” e “Centelha”. Ele destacou a importância do aprendizado voltado aos editais. “Eu tinha muita insegurança sobre essa parte, mas foi tudo muito esclarecedor. Foi a primeira oficina que fiz sobre desenvolvimento de projeto e roteiro. Tenho certeza de que o que aprendi aqui vai me ajudar na prática para participar de editais”, avalia.


A oficina também atraiu participantes interessados em ampliar suas áreas de atuação, como o ator Adriano Chastel Lima. “Eu também escrevo poesia e queria escrever para outras modalidades. Achei muito interessante aprender sobre preparação de produção, como vender a ideia, mas a parte do roteiro foi a que mais me chamou a atenção, porque já escrevo”, comenta.


Entre os profissionais já atuantes no audiovisual, o operador de áudio da TV Record Jorge Guilherme destacou o caráter criativo da formação. “Atuo numa área muito sistemática, que não abre tanto espaço para a criação. A oficina foi importante para entender como funciona uma produção audiovisual em um sentido mais autoral”, afirma.


Já a roteirista e diretora de produção Sara Muricy buscou na oficina um novo olhar para um projeto em desenvolvimento. “Queria que meu roteiro passasse pelo olhar de um cineasta de vanguarda como o Fábio. As dicas da Tânia também foram extremamente valiosas. A oficina clareou tanto a parte de roteiro quanto a organização de projetos e editais. Foi muito encorajador”, conclui.


O ROTA CINE MS é realizado pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, a Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo e a Fundação de Cultura de MS, em parceria com o Instituto Curumins, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).

 
 
 

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