Casa Amarela leva memórias da ferrovia de Campo Grande dos muros para o mundo digital
- eusoums

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Plataforma que será lançada neste sábado (29) reúne acervo, vídeos e histórias da Noroeste do Brasil, enquanto QR Codes transformam murais da antiga estação em uma espécie de livro a céu aberto

Quem passa pela antiga estação ferroviária de Campo Grande já encontra parte da história da cidade estampada em cores. São rostos, personagens e memórias que ocupam os muros do complexo e ajudam a preservar a relação da Capital com a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB). Agora, essas histórias também poderão ser ouvidas e assistidas.
Neste sábado (29), às 19h, o Museu de Arte Urbana (MuAu) – Casa Amarela lança uma nova plataforma digital e apresenta uma série de vídeos sobre ferroviários, familiares, artistas e outros personagens retratados nos murais do espaço.
O evento, gratuito, marca o encerramento do projeto “Histórias do Trecho: Locomotivas de Histórias”, mas também abre uma nova fase para a Casa Amarela. A ideia é fazer com que aquilo que hoje pode ser conhecido presencialmente na antiga estação consiga viajar para além dos limites de Campo Grande.
Quando um mural começa a contar sua própria história
A Casa Amarela reúne atualmente 41 murais em sua galeria de arte urbana. Dentro do projeto, 15 histórias ganharam registros audiovisuais produzidos por Lu Tanno, com narração da escritora e arteterapeuta Tatiana De Conto.
Os vídeos recuperam as trajetórias das pessoas que inspiraram parte das pinturas e ajudam a entender o contexto por trás das imagens.
Essa conexão entre espaço físico e ambiente digital também chegará diretamente aos muros. As 15 histórias receberão QR Codes instalados junto às obras, permitindo que o visitante use o próprio celular para conhecer quem são os personagens representados enquanto percorre a antiga área ferroviária.
A experiência transforma a exposição “Memórias do Trecho” em algo próximo de um livro vivo a céu aberto, no qual pintura, oralidade, tecnologia e memória passam a ocupar o mesmo lugar.
“Mais do que uma página institucional, o novo site nasce como uma extensão das atividades da Casa Amarela, reunindo acervos, imagens, registros audiovisuais e informações sobre a programação do espaço e também conservação da memória e identidade da vila de ferroviários”, explica Tatiana.
Dois anos de histórias transformadas em arte
O lançamento também fecha um ciclo iniciado há dois anos.
Idealizadora do “Histórias do Trecho”, Tatiana acompanhou um processo que passou pela recuperação de relatos, criação dos murais e construção de novas maneiras de apresentar esse patrimônio ao público.
“É a finalização de um caminho. Entrei aqui para contar essas histórias e, dois anos depois, finalizamos. Foram muitos aprendizados, ideias, teremos muito trabalho pela frente com a reforma dos murais, a ampliação da área expositiva da Casa Amarela e novas parcerias”, conta.
Os murais nasceram de uma mobilização coletiva de artistas em 2024. Já a etapa de contação e preservação das histórias contou com recursos de políticas públicas de cultura.
Até agora, foram realizados oito circuitos de narração, e a intenção é continuar com a atividade mesmo depois do encerramento oficial do projeto. A próxima edição está prevista para 20 de setembro, às 9h, com a proposta de estabelecer novos encontros todo terceiro domingo do mês.
Arte de Campo Grande também ganha vitrine online
O novo site não ficará restrito à memória ferroviária. A plataforma abre uma frente para a comercialização online das obras de artistas que participaram voluntariamente da criação dos murais.
A mudança também terá reflexos no espaço físico da Casa Amarela. A proposta é encerrar a galeria coletiva presencial para ampliar a utilização da área interna com oficinas, cursos e exposições temporárias, enquanto a venda de trabalhos passa para o ambiente digital.
Para o artista plástico e coordenador da Casa Amarela Guido Drummond, a plataforma pode ajudar a produção sul-mato-grossense a alcançar outros mercados.
“Estamos abrindo uma nova janela para o mundo para divulgar e comercializar a arte e a cultura sul-mato-grossense”, afirma. “Se o mercado local não absorver, vamos buscar outras e novas oportunidades.”
A construção do site contou com suporte do Sebrae e Senai.
Memória que continua circulando
Na noite deste sábado, a programação começa às 19h com a apresentação da plataforma. Às 19h30, o público poderá assistir aos vídeos produzidos para o projeto. A partir das 20h, o encerramento será marcado por confraternização e música.
Mais do que digitalizar um acervo, a iniciativa tenta enfrentar uma questão recorrente quando se fala em patrimônio: como manter uma memória viva depois que as pessoas que a carregam deixam de estar presentes?
Na Casa Amarela, a resposta passa pela soma de diferentes linguagens. Primeiro vieram os relatos. Depois, os rostos chegaram aos muros pelas mãos dos artistas. Agora, ganham voz, vídeo e um endereço permanente na internet.
“A proposta do ‘Locomotiva de Histórias’ é fazer com que essas histórias continuem percorrendo a cidade, seja pela experiência presencial, pela arte urbana ou, agora, pela memória disponível no ambiente digital”, resume Tatiana.
O projeto “Histórias do Trecho” é realizado com recursos do Fundo Municipal de Investimentos Culturais (FMIC) e da Fundação Municipal de Cultura (Fundac), vinculada à Prefeitura de Campo Grande, com apoio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), Afapedi, Iphan, Plataforma Cultural e Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul (IHGMS).
Serviço
Lançamento do site da Casa Amarela e encerramento do “Histórias do Trecho”Data: sábado, 29 de agostoHorário: 19hLocal: Museu de Arte Urbana – Casa AmarelaEndereço: Rua dos Ferroviários, 118, região central de Campo Grande (MS)Entrada: gratuitaClassificação: livre




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