top of page

Economia criativa transforma identidade local em renda e aproxima cultura e turismo em Bonito

  • Foto do escritor: eusoums
    eusoums
  • há 15 horas
  • 3 min de leitura

Debate no Festival de Inverno reúne poder público, artistas e produtores para discutir como artesanato, gastronomia e saberes regionais podem fortalecer a economia sem perder a conexão com o território


Em um destino conhecido internacionalmente por suas paisagens naturais, existe uma pergunta que vai além dos rios cristalinos, grutas e cachoeiras: quanto da experiência de conhecer Bonito também pode passar pelas pessoas que vivem e produzem na cidade?



A relação entre território, cultura e geração de renda entrou no centro da discussão durante o 25º Festival de Inverno de Bonito, em um encontro dedicado à economia criativa.


Artistas, artesãos e expositores participaram de uma conversa sobre como transformar conhecimento, identidade e produção cultural em atividade econômica sem descaracterizar aquilo que torna cada lugar único.


O bate-papo reuniu a vice-prefeita e secretária de Turismo de Bonito, Juliana Salvatori, a secretária-adjunta da Setesc, Giovanna Corrêa, e o diretor municipal de Cultura, Lelo Marchi. A mediação foi de Luciana Azambuja, superintendente de Economia Criativa e Políticas Integradas da Setesc.


Quando aquilo que é local também vira experiência turística


Para Lelo Marchi, qualquer estratégia de desenvolvimento precisa começar por quem já produz dentro do município.


“A partir do respeito ao nativo, você conhece o que é produzido e valoriza o que ele já faz”, afirmou.


A lógica parece simples, mas representa uma mudança importante na maneira de pensar o turismo. Em vez de tratar a produção local apenas como complemento da viagem, artesanato, gastronomia, música, arte e outros saberes podem passar a fazer parte da própria experiência de conhecer um destino.


Isso significa também permitir que uma parcela maior dos recursos movimentados pelo turismo permaneça no território e alcance diretamente quem produz nele.


Entre ter talento e conseguir viver dele


A discussão também colocou sobre a mesa um dos principais desafios da economia criativa: produzir algo relevante não significa automaticamente conseguir transformá-lo em renda.


“Do talento até a renda tem um grande caminho”, resumiu Giovanna Corrêa.

Nesse intervalo entram questões que nem sempre fazem parte da formação de um artista ou artesão, como apresentação do produto, precificação, atendimento, comercialização e acesso a novos mercados.


A resposta, segundo a secretária-adjunta, passa pela construção de uma rede capaz de oferecer qualificação e aproximar esses profissionais dos consumidores.


Essa preocupação já aparece dentro do próprio Festival. Parte dos expositores participou de uma jornada criativa realizada em parceria com o Sebrae, com foco justamente em atendimento, comercialização e construção de experiências para o público.


Do mel do Pantanal às biojoias


Na prática, o espaço de Economia Criativa e Bioeconomia do FIB funciona como uma pequena amostra da diversidade que existe em Mato Grosso do Sul.


São 21 expositores de diferentes municípios, com prioridade para Bonito e região e para localidades relacionadas à Rota Bioceânica.


Costura criativa, saboaria, aromaterapia, biojoias, cerâmica e gastronomia aparecem lado a lado. Entre os produtos estão o doce de leite do Rio da Prata e o mel do Pantanal, primeiro mel brasileiro a receber certificação de indicação geográfica.


A variedade ajuda a mostrar que economia criativa não está limitada às manifestações artísticas mais tradicionais. Ela pode nascer de uma técnica artesanal, de um ingrediente regional, de conhecimentos transmitidos entre gerações ou da capacidade de transformar elementos do território em produtos e experiências.


Crescer sem apagar a identidade


Em Bonito, existe ainda outra camada nessa conversa.


O município construiu parte de sua projeção nacional e internacional em torno da natureza. Fazer a economia crescer significa, portanto, encontrar maneiras de conciliar preservação ambiental, inclusão social e desenvolvimento econômico.


Para Luciana Azambuja, essa relação se fortalece quando o próprio morador consegue transformar sua história e sua ligação com o lugar em criação.


Ela define cultura, turismo e economia criativa como um “tripé indissociável”, capaz de atravessar desde o artesanato e a gastronomia até atividades como observação de aves e turismo de base comunitária.


Nesse cenário, identidade deixa de ser apenas discurso de divulgação turística e passa a ter valor econômico para quem efetivamente constrói aquela cultura.


O desafio está justamente em fazer essa transformação sem padronizar o que é produzido para atender ao mercado.


Se Bonito já conseguiu fazer de sua natureza uma das experiências turísticas mais conhecidas do Brasil, a economia criativa propõe um próximo movimento: fazer com que quem visita o destino também leve consigo um pouco das histórias, sabores, objetos e saberes de quem vive ali.


E, principalmente, garantir que essa circulação cultural também deixe renda no território.

Foto: Daniel Reino

 
 
 

Comentários


 ÚLTIMAS NOTÍCIAS:  #EUsouMS Entrevista: Descubra arte com a Galeria MEIA SETE

#EUsouMS POSTS-4.png
#EUsouMS POSTS-4_edited.png

© 2025 #EUsouMS 

Onde devo ir? Quem devo conhecer? Qual comida tenho que experimentar? Essas são algumas das perguntas fundamentais que nós fazemos diariamente. Com este espaço queremos mostrar para todos qual é a identidade do nosso estado. Este site surgiu com um único propósito: Ser o local de encontro e de referência da cultura, das pessoas, dos sabores e dos lugares do Mato Grosso do Sul. Por isso leia, conheça, compartilhe e viva o MS com a gente! 

  • Branco Facebook Ícone
  • Branco Twitter Ícone
  • Branca Ícone Instagram

Sugestão de pauta? contato.eusoums@gmail.com

Desenvolvido por facaseu.site

bottom of page