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Fora da Curva: Estamos preparados para entender o amor?

Atualizado: 8 de fev.

Os anos passam, os meses se arrastam e alguns assuntos permanecem intactos às ações do

tempo: não existe roda de conversa que resista às idas e vindas do amor, aos encontros e

desencontros, às expectativas criadas e quebradas e, por que não, às dolorosas decepções.


O que não é tão clássico é a forma como nós lidamos com a arte do relacionamento. O quão difícil é conceber o amor de uma forma simples, natural, sem grandes e fortes emoções? Eu falo daquele tipo de amor que não precisa de um trilho de montanha-russa para fazer sentido, ele é fluido, certamente mais seguro de si.


Será que estamos tão cansados da mesmice cotidiana ao ponto de valorizar relacionamentos baseados na adrenalina? Seria esse hormônio o antídoto à nossa mediocridade mundana?


Somos viciados nessa maneira corrosiva de amar?


Ele fuma maconha três ou quatro vezes por dia, mas eu tolero aquele cheiro horrível no meu

quarto, no meu lençol limpo. Aliás, eu odeio que fumem no meu carro, mas claro que eu

tolero. Ah, ele adora “suspender” o relacionamento quando é conveniente, ou praticar o

ghosting na melhor forma: ele não responde mensagens. E eu procuro justificativas. E

encontro. Ele está trabalhando, ou será que está na casa de algum amigo? Deve estar cansado, ou ocupado? Será que acabou a bateria do celular?


Que incrível! Eu me sinto a pessoa mais feliz do mundo quando ele simplesmente me ignora, como se eu realmente não existisse na vida dele. E quando eu sinto que o papo entre nós não está bom, eu pergunto se algo está acontecendo, pois não fui abençoado com a habilidade de adivinhação. Sabe o que ele responde? Sim, está tudo ótimo! É claro que está tudo bem, foi um delírio individual meu que me fez questionar o distanciamento dele.


Acontece que no dia seguinte, quando ele volta, lembro que se eu decidir me afastar, vou abrir mão de um sexo envolvente, da atração física, das habilidades com a língua e conversas ao pé do ouvido que não só causam arrepios como quatro orgasmos por dia, senão mais. Adrenalina pura! E a verdade é que, convenhamos, eu não estou na minha melhor forma física, seria difícil encontrar alguém como ele.


Bingo.


Eu estou com pena de mim. Meu pensamento é que eu mereço menos, e não mais. Assim, se ele me escolheu, eu deveria me sentir desejado.


Acontece que nesse caso, falta o amor próprio.


Sexo incrível, química perfeita, estabilidade financeira, papo envolvente, risos eloquentes,

inteligência emocional, aparência em dia, admiração mútua, bom relacionamento com os

amigos e a família do companheiro, e eu poderia finalizar esse texto com uma lista enorme de predicativos.


Nada, mas absolutamente nada pode ser maior do que o respeito que nutrimos por nós

mesmos.


Nós estamos preparados para entender o amor. O que acontece é que talvez não queiramos aceita-lo da forma que ele venha a se mostrar, com altos, baixos, médios, constância ou inconstância.


Amar é ser paciente. E sim, ser paciente é cafona, é cringe.


Miguel Machado*

*nome fictício

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