Fora da Curva: Por que os relacionamentos gays não duram?
- eusoums
- 24 de fev. de 2022
- 3 min de leitura
Várias são as opiniões que tentam explicar os motivos pelos quais as relações gays não duram, vou tentar discorrer sobre elas e nelas infelizmente tenho que excluir as demais letras da comunidade LGBTQIA+, já que perco lugar de fala.
Porém não perco lugar de fala para analisar e criticar os heteronormativos, já que eles tem hegemonia quando se trata de modelo de relacionamentos e faz-se necessária essa análise já que copiamos esse modelo.
Gays se perdem em meio a tantas opções, com aplicativos que dão acesso a sexo muito fácil e rápido com uma quantidade muito variada de opções, rolês, redes sociais, círculos de amizades, etc, que potencializam as possibilidades, deixando aqueles que namoram com uma sensação de sempre estar perdendo por estar vinculado a alguém de forma exclusiva.

Outra explicação que já ouvi é a de que não existem prendimentos nas relações gays, como existe nas heteronormativas, onde existe mistura de patrimônios, filhos surgem dessa relação e mexem com um turbilhão de sentimentos e noções de obrigações morais, o juramento de “na saúde e na doença, na alegria e na tristeza”.
Uma diferença relevante é sobre a tendência das relações heteronormativas serem desproporcionalmente mais violentas e abusivas, o que também ocorre com os gays, porém, em proporções menores, já que é muito tendencioso à liquidez, a trocar por outros.
O modelo tradicional conservador não vem sendo suficiente, precisamos dialogar sobre novos formatos de relacionamento, sendo monogâmico ou não, frisando que os modelos de relações não se resumem a caracterização como mono ou poligâmico!
Então podemos dizer que os gays possuem vantagens e desvantagens quanto ao desprendimento, sendo na maior parte das vezes motivado a estar com alguém pura e simplesmente pelo afeto que tem dentro das relações: pode existir vantagem em não ter prendimentos materiais ou morais, sendo menos difícil se livrar de relações de baixa qualidade ou de relação onde não existe mais afetos e interesses em comum.
A desvantagem é que essa liquidez pode tornar as pessoas menos capazes de lidar com os sentimentos, menos diálogos e enfrentamentos, resultando na incapacidade de solucionar problemas dentro das relações. Pulando de relação em relação, não duradouras e não proveitosas no quesito autoconhecimento e amadurecimento.
Outras possibilidades chamam atenção quando se tratam de dois homens, como a incapacidade de lidar com os sentimentos, já que socialmente o homem tem restrições impostas desde muito cedo para evitar expor os sentimentos, não se mostrar vulnerável, não chorar, não ser “fraco”, etc.
Essa incapacidade de lidar com os sentimentos é predominante no gênero masculino, validado pela máxima comum de que o homem amadurece muito mais tarde que as mulheres (quando chega a amadurecer).
Assim, unem-se dois homens que repeliram a vida toda as conversas e enfrentamentos de seus sentimentos e que de repente entram em um turbilhão de sentimentos conjugados.
Por outro lado, ainda que existam inúmeras hipóteses que tentam se mostrar capazes de dizer a verdade, há que se questionar se ter relações duradouras é o saudável dentro do universo subjetivo de cada um, com seus predicados e individualidades.
Há que se considerar a possibilidade de viver sozinho e ter qualidade de vida.
Há que se questionar essa necessidade de ter o “para sempre”.
Outra questão importante é: Se os relacionamentos que não duram períodos longos devem ser visto de uma forma negativa ou prejudicial, já que um relacionamento pode durar o tempo suficiente para se esgotar dentro de suas possibilidades e dentro de um lapso de tempo suficiente para proporcionar as vivências.
Muitos aspectos devem ser questionados dentro da subjetividade. Não se encontram respostas que são aplicáveis à coletividade, mas apenas que ousam se aproximar de causas genéricas e que não podem se limitar à sexualidade, mas também considerar questões psicológicas, históricas, sociais.
Dr. G
