Sexteto Di Sete e Érica Espíndola passeiam por clássicos brasileiros e latinos no Festival de Inverno de Bonito
- eusoums

- há 16 horas
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Segundo dia do FIB teve encontro de jovens músicos com repertório de fronteira e estreia de Érica no festival em apresentação que foi do intimista ao apoteótico
Entre o fim da tarde e a chegada da noite, o Palco Sesc Estrela mostrou nesta quinta-feira (27) duas maneiras bastante diferentes de transformar repertório e interpretação em protagonistas. No segundo dia do Festival de Inverno de Bonito 2026, passaram pelo espaço o Sexteto Di Sete, formado por jovens músicos da Orquestra Jovem Sesc MS, e Érica Espíndola, que fez sua estreia no FIB.

Primeiro vieram os instrumentos, atravessando música de câmara, MPB e referências que ajudam a contar musicalmente a região de fronteira. Horas depois, Érica precisou de pouco para dominar o palco: voz, violão, uma pequena bateria e um repertório que encontrou no público seu coro.
Do rasqueado à MPB
O Sexteto Di Sete levou ao palco seis alunos da Orquestra Jovem Sesc MS, em uma formação com dois violinos, flauta, violoncelo, contrabaixo e bateria.
O nome brinca justamente com a composição do grupo. O “sétimo elemento” é Vladimir Benedito de Carvalho, o Bibi Carvalho, professor, maestro e violonista que acompanha os estudantes.
A apresentação percorreu diferentes territórios musicais. “Mercedita” e “60 Dias Apaixonado” aproximaram o repertório das sonoridades regionais e fronteiriças, enquanto músicas como “Feira de Mangaio” e “Berimbau” ampliaram a viagem pela música popular brasileira.
Segundo Bibi, essa mistura também está diretamente ligada ao trabalho de formação realizado com os jovens no Sesc Lageado, em Campo Grande.
“A gente passeia do regional, música popular brasileira e uma latina aqui e faz essa miscelânea”, explicou.
Mais do que apresentar clássicos em novos arranjos, a passagem pelo FIB mostrou como a formação musical pode dialogar com o território onde esses jovens artistas estão inseridos, sem estabelecer fronteiras rígidas entre o erudito e o popular.
Érica Espíndola estreia no FIB
Mais tarde, o palco mudou completamente de atmosfera.
Em sua primeira apresentação no Festival de Inverno de Bonito, Érica Espíndola apostou em uma formação reduzida e mostrou que intensidade não depende necessariamente do tamanho da banda.
Acompanhada apenas por violão e uma pequena bateria, a cantora começou em clima intimista e foi aumentando a temperatura do show até transformar a apresentação em uma celebração coletiva.
No repertório, Érica costurou canções autorais, clássicos latinos e uma homenagem a Elis Regina, revisitando músicas eternizadas na voz de uma das maiores intérpretes da música brasileira.
A plateia respondeu cantando junto. Aos poucos, a distância entre palco e público diminuiu e o Sesc Estrela ganhou a atmosfera de uma grande roda de música.
Antes da apresentação, Érica já havia antecipado o tamanho de sua expectativa para a estreia.
“É uma oportunidade incrível. Essa é a primeira vez apresentando aqui. E minha vontade era um show apoteótico”, afirmou.
Foi exatamente nessa direção que a noite caminhou. Com poucos elementos em cena, Érica concentrou o espetáculo na interpretação, na presença de palco e em uma voz capaz de conduzir o público do silêncio ao coro.
FIB segue até domingo
O Festival de Inverno de Bonito 2026 continua até domingo (30), espalhando sua programação por diferentes espaços da cidade. Música, dança, teatro, artes visuais, literatura, cinema, artesanato, gastronomia e manifestações da cultura popular fazem parte da agenda gratuita.
Entre os próximos grandes shows estão Léo Foguete, nesta sexta-feira (28), Seu Jorge, no sábado (29), e Humberto & Ronaldo, responsáveis por uma das atrações do último dia, no domingo (30).
Depois de uma quinta-feira em que música de câmara, rasqueado, MPB e repertório latino dividiram o mesmo espaço, o Palco Sesc Estrela reforçou uma das características que atravessam esta edição do FIB: em Bonito, tradição e experimentação não precisam ocupar palcos diferentes.
Foto: Daniel Reino




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