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#EUsouMS Entrevista: A metamorfose musical de Jay Jenner

Se tivesse que classificar o Jay Jenner em uma única palavra, multitalentoso seria ela. Dono de uma voz belíssima e especial, instrumentista preciso e de presença de palco marcante, desenhou uma trajetória de lutas e sucesso na música independente. Desde o sucesso regional da banda Bella Xu, onde tive o prazer de dirigi-lo, até os palcos gigantescos cantando ao lado dos DJ’s do duo Jetlag, o que vemos claramente é uma trajetória de desafios que o próprio Jay se propõe, tornando-se inevitavelmente uma potência em tudo o que faz.


Ele iniciou a vida na música estudando violão clássico, depois foi para o piano, onde começou a acompanhar bandas de Campo Grande como Delay e Barulho Zen até formar a Bella Xu com composições autorais e assumir o front para onde ele estava destinado. Talento, técnica e emoção que contagiaram o público regional e que depois de muita entrega e ralação obteve exposição nacional no programa Superstar da Rede Globo.


Altos e baixos não são apenas reais como necessários para que todo ser-humano se reinvente. Com o fim da banda em 2017 Jay juntou-se ao duo de DJ’s Jetlag, que no momento precisava exatamente de um cantor para performar em singles e shows. Uma nova porta se abre para que toda sua bagagem seja espalhada e reorganizada para quatro anos que seguiu na estrada do Brasil e do mundo cantando musica eletrônica.


Hoje, após dois anos de pandemia e com a oportunidade de voltar para Campo Grande, sua terra natal, Jay aproveitou para estudar a musica eletrônica mais a fundo, passou a produzir sua própria música, comprou uma CDJ e começou a empreender com um novo projeto onde cantar e tocar instrumentos é um complemento para o trabalho de DJ.


Conversei com o Jay em um fim de tarde em seu apartamento com vista pro parque do Sóter em Campo Grande, de onde o pôr do sol da nossa cidade pode ser testemunhado com privilégio.


Jonavo - Jenner, eu conheço você desde a sua gênese musical e vi muitas mudanças acontecendo desde o estilo até as performances. Conta como foi essa metamorfose musical desde o garoto que tocava piano clássico, depois como vocalista de banda de rock e hoje como DJ.


Jay Jenner – Cara, você lembra que tudo começou com a música clássica, né? Eu tocava peças barrocas no piano em recitais da escola de música ou com orquestra de violões. Isso já era uma coisa que eu gostava pra caramba, até que quando apareceram oportunidades de tocar em bandas com amigos de escola e tudo mais eu tocava System of a down e Ramstein, que era Rock pesado. Eu acho que a resposta é que o amor tá na música. Nas sete notas musicais e não em apenas um estilo ou um jeito de tocar.


A mesma música que me colocou pra tocar em bares, e em uma banda autoral defendendo música própria também me colocou em shows com milhares de pessoas em estádio de futebol lotado. Eu acho que o que me emociona sempre é estar em cima do palco trocando essa emoção com o público, mas hoje o desafio é fazer isso sem instrumento musical na mão, nesse universo completamente diferente da música orgânica, só com meu teclado, meu mouse e um par de fones.


Jonavo – Você acha que está buscando uma autossuficiência na música?


Jay Jenner – Existe sim o lado de você não precisar de terceiros pra ter um resultado completo da sua música, mas existe também o fato de toda a pesquisa pra musica soar do jeito que você quer, mas o grande desafio é... A pista vai dançar essa música?


Jonavo – Essa facilidade tem a ver com o fato de você ser Gamer? (risos)


Jay Jenner – Acho que quando você vai pra CDJ discotecar tem mais a ver com esse lance do gamer, porque é um trabalho muito mental e manual, mais do que braçal. Você precisa ler a pista e botar o povo pra dançar, às vezes pra respirar também, às vezes mais intenso e às vezes menos intenso.

Quer ver um exemplo de DJ excelente? Se você tem uma rádio favorita, você tem um DJ ali fazendo aquela seleção de músicas em uma ordem que vai fazer sentido e vai sintonizar muitas pessoas que vão querer ficar ali naquela rádio. Imagina agora você fazer isso num palco pra 40 mil pessoas e no meio disso colocar as suas músicas... Isso é muito louco!



Jonavo – E quais são as suas referências musicais em geral hoje?


Jay Jenner – Cara, eu fiz uma trajetória na música por muito tempo antes de entrar de cabeça na música eletrônica. Então minhas referências vêm muito de fora da música eletrônica, embora eu pesquise muito e ouça muita coisa nesse sentido também. Eu acompanho bastante o trabalho do Vintage Culture, que é hoje um dos maiores artistas de expressão do Brasil. Gosto muito do Dub Dogs, o DJ Glen de Tech House. Da galera de fora, minha maior referência desde muito cedo foi o Daft Punk, acho o trabalho deles genial e atemporal.

De fora da música eletrônica, basicamente minhas referências são Dream Theater, Guns and Roses, (banda que me fez querer tocar um instrumento) e ainda ouço bastante música clássica também. Pra mim Bach é o maior compositor de todos os tempos.


Jonavo – Como é pra galera que te acompanha desde a Bella Xu ver o Jay Jenner como DJ?


Jay Jenner – Cara, graças a um trabalho que foi muito bem feito tem bastante gente que me acompanha até hoje, outras pessoas dispersaram naturalmente, ou perguntam o que eu to fazendo e tal, mas eu acho que só mudei a maneira de fazer a mesma coisa. Porque uma performance ao vivo não é uma coisa que se repete tanto nas vidas das pessoas, mas a música que a gente faz e que fica nas playlists delas sim.

Eu como DJ também pego o microfone e canto em alguns momentos, e talvez isso vá ainda mudar no decorrer do processo, mas nunca foi tão eu quanto é agora.



Jonavo – Parece que você tá tirando um pouco o ego da frente...


Jay Jenner – Eu acho que todo artista tem ego, mas com certeza meu ego está migrando do artista e da performance de cantor para única e exclusivamente a música. Eu não quero que o show traga pessoas pro show, eu quero que as pessoas venham por causa da música, das composições, da produção, do DJ...


Jonavo – Cara, fala um pouco dos altos e baixos da sua carreira. As pessoas geralmente focam muito no que deu certo, mas muita coisa não deu certo pra gente conseguir os momentos bons. Conta um pouco pra galera.



Jay Jenner – A coisa mais difícil que aconteceu na minha vida e também na vida dos meus parceiros de banda, foi quando nós decidimos ir pra São Paulo tentar a carreira por lá. Apesar da gente ter respaldo familiar, a situação era caótica dentro da casa. Tinha vez que faltava comida e a gente tinha grana só pra comprar macarrão e molho de tomate, então era isso o que a gente ia comer a semana inteira. Outra vez eu lembro que as únicas coisas que sobraram na dispensa eram trigo e fermento, e a gente deu um jeito de fazer um pão pra comer só pra não ligar pros nossos pais e pedir dinheiro, porque tínhamos vergonha da situação.

Mas o mais difícil disso tudo foi estar em São Paulo em conflito com a própria banda em que cada um queria uma coisa e acabava não acontecendo nada. Nós não tínhamos planejamento nenhum e isso durou anos, onde a gente tinha que ir fazer show em Campo Grande pra poder pagar contas de luz que estavam três meses atrasadas. Teve uma época que tenho certeza que todos estavam em depressão na casa. Aí você já sabe né... o refugio era álcool e drogas.

Se não fosse a oportunidade de ir pro Superstar a banda teria acabado antes.


Jonavo – Agora as partes boas...


Jay Jenner - Já os momentos bons foram a partir dessa experiência no Superstar, onde tivemos uma sobrevida, aparecemos pro Brasil inteiro e isso deu um gás muito bom na época.

Sobre os melhores momentos da carreira, acredito que toda a fase em que a Bella Xu tocou no 21 Bar em Gampo Grande. Pra mim foi o melhor laboratório que uma banda poderia ter. Depois um show onde abrimos pro Jota Quest no Parque de exposições onde tinha uma multidão cantando nossas músicas.

Mas o melhor show da minha vida com certeza foi o Lollapalooza no Chile com o Jetleg, uma experiência de ver 20 mil pessoas pulando na minha frente naquele lugar incrível. O Rock In Rio de 2018 foi surreal também. Me imaginei tocando naquele lugar desde quando era adolescente e de-repente eu estava lá sendo assistido.

Ah, tem o festival EDC da cidade do México que é um dos maiores de música eletrônica do mundo. Com certeza valeram a pena os perrengues.



Jonavo – O que esperar do Jay nos próximos trabalhos?


Jay Jenner – Cara, pra ser honesto nem eu sei o que esperar, mas com certeza vem algo surpreendente e desafiador também. Em 2022 vou continuar estudando muito e produzindo bastante. Terão alguns lançamentos, mas eu estou focado em vir com algo realmente novo pro mercado no ano que vem.

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O mercado da música muda a cada semana no Brasil e no mundo, e eu acredito que além dessas mudanças houve uma quebra muito severa na forma como entregamos a música e, principalmente, na realização dos shows. Ver o Jay se reinventar e compactar sua equipe de modo que consegue entregar a música com menos custo operacional e com qualidade para atingir as massas é algo que me deixa orgulhoso como amigo e também como fã da inteligência artística desse cara.


Estamos todos ainda atônitos, sem saber direito como será o mundo lá na frente, mas com certeza o talento e a disposição dele pra desafios irá trazer algo moderno e especial pra música no futuro. Vale a pena acompanhar os passos do Jay em direção a grandes sonhos que ele sabe que pode sonhar.

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